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Para FMI, construção civil retoma crescimento em 2021

 

Estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a construção civil vai cair 5,2% no continente latino-americano em 2020, com boa perspectiva de retomada em 2021, podendo crescer 3,4%. O levantamento usa dados da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC) e se aproxima de levantamentos divulgados pela consultoria GlobalData, que estima retração de 5,5% do setor em 2020.

Antes da pandemia de Coronavírus, a projeção era que a construção na América Latina cresceria, em média, 2,3% neste ano. Porém, independentemente da queda prevista para 2020, o presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC), Sergio Toretti, confia na retomada do crescimento em 2021. Por um simples motivo: o setor é fundamental para que a economia do continente supere a crise na pós-pandemia.

“Não há qualquer dúvida de que a construção será o vetor para superar a crise. Por várias razões. Primeiro, é um grande gerador de empregos; segundo, é um motor de reativação econômica muito importante e de efeito imediato, por causa do tamanho da cadeia produtiva que envolve. Vai desde grandes construtoras até microempresas prestadoras de serviço, passando por fabricantes de materiais e de equipamentos”, diz.

 No continente latino-americano, o maior declínio esperado é para a já combalida Venezuela, com expectativa de queda de 15%. Em seguida, virá a Argentina, cuja construção civil deve cair 10%, acompanhada de México e Brasil, que poderão retroceder entre 6% e 8%. Já os países onde o impacto será menor são Chile, Peru e Uruguai. Guatemala, El Salvador, Honduras e Paraguai também sentirão com menos força os danos da crise, estima a FIIC.

Infraestrutura pode ser promissora ferramenta para que governos gerem emprego

No continente latino-americano, o FMI avalia que o segmento voltado à construção habitacional deverá ter queda de até 50% nas vendas. No plano da infraestrutura, também se projeta um recuo equivalente a 45%. Porém, o Fundo Monetário Internacional considera que a infraestrutura pode ser uma promissora ferramenta para que os governos contratem mão de obra e alavanquem as economias de seus respectivos países. 

“A crise vai aumentar o déficit de infraestrutura em nosso continente. Isso obrigará ações conjuntas do setor público e do setor privado. É a única maneira de conseguir viabilizar obras, pois sozinho o poder público não terá recursos. Tampouco o setor privado. Será a oportunidade para produzir eficazes parcerias público-privadas em nossos países”, cita o presidente da Federação Interamericana da Indústria da Construção.

Apesar do otimismo emitido pela FIIC, a economista Dariana Tani, da GlobalData, acredita que os desafios não serão pequenos para a América Latina. “A demanda global mais lenta deve derrubar os preços das commodities e desvalorizar moedas. Também haverá queda significativa nos níveis de turismo e de serviços, aumentando o desemprego. São fatores que devem impactar a indústria da construção civil no curto prazo após a pandemia”, analisa a consultoria, em seu mais recente boletim. 

Matéria publicada na Massa Cinzenta