Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

A retomada da economia e o abastecimento de aço de construção ao mercado doméstico

O Instituto Aço Brasil promoveu um evento em que apresentou o novo presidente do Conselho Diretor, Marcos Faraco, que substituiu Sérgio Leite e ao mesmo tempo convidou o Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia (Sepec/ME), Carlos Da Costa, para falar acerca da retomada da economia. O evento foi realizado nas dependências da Usina da Gerdau em Araçariguama- SP, produtora de aços longos(vergalhões), onde o novo presidente do IABR é um dos dirigentes.

A visita teve por objetivo mostrar a jornalistas presentes e ao Secretário o processo produtivo de uma mini-mill, moderna e cujos produtos são destinados à construção civil e avaliar com o Aço Brasil a capacidade da indústria nacional do aço de abastecer o mercado doméstico diante da rápida retomada da economia, especialmente nesse segmento.

Segundo dos dados apresentados no ápice da pandemia de COVID-19 no Brasil, houve forte queda de consumo e a indústria brasileira do aço teve que desligar vários altos fornos e paralisar outras unidades de produção, chegando a operar com apenas 45% de sua capacidade instalada. Naquele momento os prognósticos de queda do PIB eram então sombrios não só no Brasil como na grande maioria dos países. Aqui no Brasil se falava em queda de mais de 10% em relação ao ano passado.

Felizmente, a retomada da atividade econômica vem sendo mais rápida do que o previsto e os números surpreendem.

Com isso o aumento repentino da demanda do aço surgiu, o setor começou rapidamente a reativar sua produção, para atender este retorno dos pedidos dos clientes. Evidentemente por questões de técnicas e de processo, não é possível a reativação repentina de todos os equipamentos produtivos que estiveram parados ao mesmo tempo. Segundo divulgado hoje, pelo IABR a utilização da capacidade instalada já é a mesma de janeiro deste ano (63%).

Especificamente no segmento da construção civil, um dos maiores setores consumidores de aço, onde existe o grande consumo é de vergalhões já está a todo vapor. A maior parte da produção de vergalhões é originária das mini-mills, plantas que não possuem altos fornos e se utilizam, principalmente, a sucata reciclada de aço como matéria prima nas aciarias elétricas. É o caso da usina visitada pelo Secretário Especial. Uma menor parcela da produção de vergalhões é obtida a partir de rota integrada principalmente a carvão vegetal, que produz ferro gusa em fornos de menor porte e, em seguida transformada em aço, nas aciarias.

Estas duas rotas de produção são versáteis e de mais fácil operação, respondendo ainda mais rapidamente ao eventual aumento da demanda, como a que acontece no momento atual. Conforme foi divulgado, as plantas dos grupos siderúrgicos que produzem os vergalhões utilizados na construção civil – ArcelorMittal, Gerdau, Aço Verde Brasil, Sinobrás, SIMEC e CSN – estão em pleno funcionamento, com produções acima dos patamares pré-crise, sendo, pois, infundadas as informações sobre escassez de vergalhões.

A explicação dada pelo Secretário Especial, que ressaltou que o governo está atento a todas as manifestações do mercado, é que com a pandemia foi muito natural que os revendedores reduzissem seus estoques ao mínimo, pois não havia movimentação de demanda já que muitas obras foram paralisadas. Com a retomada acelerada destas obras e mais a demanda natural do produto, além da necessidade natural de reposição dos estoques nas distribuidoras, torna-se claro que há necessidade de algum tempo para que tudo volte ao normal. O Secretário reafirmou ainda que o governo observa com muita proximidade este movimento e que não vê nada nenhuma irregularidade e que também não tem nenhuma intenção de intervir no mercado, a não ser que irregularidades sejam apuradas.

Os dirigentes do IABR reafirmaram que a indústria brasileira do aço tem plena capacidade de atender a demanda do mercado doméstico, como já o tem feito, e assegura ser esta a sua maior prioridade.
Matéria publicada na Siderurgia Brasil