Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Alemanha viabiliza 1º projeto comercial em impressão 3D

A impressão 3D que utiliza o concreto como matéria-prima deixa a área da pesquisa e os laboratórios das universidades para ganhar o mercado real da construção civil. O primeiro projeto comercial de um prédio com 3 pavimentos e 6 apartamentos está em processo de construção na Alemanha. O empreendimento localiza-se na cidade de Wallenhausen, na Baviera. Trata-se da maior estrutura impressa em 3D da Europa. À frente está a construtora Michael Rupp Bauunternehmung GmbH, que atua há 25 anos na região, e que em 2020 montou a subsidiária Rupp Gebäudedruck para se dedicar exclusivamente à construção 3D.

O objetivo é construir edifícios habitacionais em larga escala, o que, segundo o diretor-executivo da empresa, Fabian Rupp, permitirá reduzir os custos de cada obra em 15%, inicialmente. “Acreditamos que essa nova tecnologia tem um enorme potencial para o futuro e queremos ajudar a moldar esse futuro”, completa Sebastian Rupp, diretor-administrativo da Rupp Gebäudedruck. O que mais impressiona os construtores é que o canteiro de obras, durante a fase de impressão das estruturas de concreto, só precisa de 4 trabalhadores especializados para operar o equipamento.

Todo o projeto arquitetônico do prédio foi concebido em BIM, para que as passagens das instalações elétricas e hidráulicas fossem previstas durante a impressão. “Nenhuma fenda foi aberta na estrutura depois que ela foi impressa”, diz o escritório Ulm Mühlich, Fink & Partner, responsável pela arquitetura do prédio, cuja impressão 3D em concreto começou no final de outubro de 2020 e foi concluída em 4 de dezembro. Conforme a obra evoluiu, o ritmo da impressão tornou-se mais rápido. O 1º pavimento precisou de 9 dias para ficar pronto. Já o 2º foi concluído em 7 dias.

Impressão do edifício consumiu 125 m³ de concreto especialmente desenvolvido para a obra
Cada apartamento do edifício tem 380 m². Além de 2 pavimentos, possuem porão e ático. Esses dois componentes foram concretados convencionalmente. O porão é um caixote de concreto que funciona também como fundação para a estrutura impressa. Já o ático, por ter forma triangular, também precisou ser concretado artesanalmente. A escada é outro elemento não-impresso. Com peças pré-fabricadas de concreto, foi montada dentro da estrutura e encaixada nos pontos delimitados pela impressora. Idem para as lajes.

Foi desenvolvido um equipamento exclusivo para o projeto, assim como um concreto com propriedades específicas para impressões em 3D. A COBOD, com sede na Dinamarca, fabricou a impressora 3D BOD2. O fundador da COBOD, Henrik Lund-Nielsen, avalia que o prédio alemão é um marco para a construção imobiliária mundial. “Esse projeto alemão é realmente um grande marco, pois a natureza comercial do edifício prova a competitividade da tecnologia de impressão 3D esse tipo de construção. A obra abre mercados inteiramente novos para as impressoras”, afirma.

Quanto ao concreto desenvolvido para o projeto, ele foi nomeado de 3D i.tech. Entre suas características estão o fácil bombeamento e o excelente desempenho na extrusão. A composição exata dos aditivos químicos é um segredo comercial do fabricante (HeidelbergCement). A impressão do edifício consumiu 125 m³ do insumo. O prédio encontra-se em fase de acabamento e, quando concluído, os apartamentos serão colocados para locação – uma prática do mercado imobiliário alemão, já que apenas a parcela mais rica da população costuma comprar imóveis no país.

Matéria publicada no Massa Cinzenta