Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Com BIM, construção civil incorpora linha de montagem

A plataforma BIM (do inglês, Building Information Modeling) vai transformar o canteiro de obras em linha de montagem e reconfigurar a construção imobiliária. Isto já ocorre em países onde a ferramenta está consolidada, e será replicado no Brasil. Quem antevê esse futuro é o engenheiro civil Francisco Pedro Oggi, especialista em projetos com pré-moldados. Recentemente, ele palestrou no 16º seminário sobre tecnologias de sistemas prediais, promovido pelo SindusCon-SP, e mostrou, com uma série de cases, como essa revolução já está em curso.

Com precisão milimétrica, o BIM permite que componentes como instalações elétricas, hidrossanitárias e de telefonia cheguem prontas no local da obra e sejam acopladas na estrutura predial como se conecta um motor ao chassi de um automóvel. “A consequência é que a tecnologia gera economia de tempo, de mão de obra e de recursos incomparáveis”, analisa. O engenheiro civil destaca ainda que a industrialização de componentes de sistemas prediais altera conceitos que estão arraigados nos projetistas e nos construtores. “Essa evolução faz do projetista um pré-construtor e do construtor um montador”, completa.

Na palestra, o engenheiro civil mostra cases de edifícios em que instalações como banheiros, cozinhas, varandas e áreas de serviço chegam prontas no canteiro de obras. São práticas que estão em curso em países como Canadá, México, Índia, Cingapura e, principalmente, Grã-Bretanha. A startup estatal britânica Homes England deflagrou recentemente o programa MMC (Modern Methods of Construction [modernos métodos de construção]) com o objetivo de construir 1.500 residências na Inglaterra com sistemas baseados na construção industrializada. “Lá, essa política de habitação vem acompanhada de incentivos fiscais, diferentemente do que ocorre no Brasil”, cita Francisco Pedro Oggi.

Não é possível industrializar a construção civil sem o uso do BIM
O engenheiro civil deixa claro que não é possível industrializar a construção civil sem o uso do BIM. No Brasil, a ferramenta está mais disseminada na construção imobiliária. De 2018 para 2020, seu uso deu um salto no segmento. Saiu de 14,8% para 79%, entre as construtoras que a usam integralmente ou parcialmente, de acordo com levantamento da Federação Interamericana da Indústria da Construção (FIIC). Nas obras de infraestrutura, é esperado um crescimento na utilização do BIM a partir de 2021, quando entra em vigor a Estratégia Nacional de Disseminação do BIM (Estratégia BIM BR).

Trata-se de um decreto do governo federal que obriga o uso da ferramenta em projetos que concorram em licitações públicas, seja na esfera municipal, estadual ou federal. A meta da Estratégia BIM BR é aumentar em 10 vezes a implantação do BIM, para que, até 2024, 50% da cadeia produtiva e de suprimentos da construção civil tenha adotado a ferramenta. Atualmente, estima-se que apenas 9,2% do PIB do setor utiliza a modelagem em suas rotinas de trabalho, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Matéria publicada no Massa Cinzenta