Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Como unir esforços para ampliar a adoção do BIM no Brasil?

Por Wilton Catelani – presidente do BIM Fórum

O BIM é transversal na cadeia produtiva da construção e os processos mais completos são feitos por muitos e não isoladamente. Precisamos nos reunir, precisamos conversar, debater e, sobretudo, precisamos entender uns aos outros e considerar as diferentes necessidades e pontos de vistas, sob o enfoque do BIM.

Só assim conseguiremos andar ´mais rápido´, fazendo juntos, tudo o que ainda precisará ser feito.

Já pararam para refletir sobre como a comunicação é importante para manter a paz nas nossas vidas?

Ainda esse ´tal´ de BIM?
Sim e se, por acaso você já estiver sentindo-se cansado de ouvir e ler a respeito do BIM, prepare-se, pois se você trabalha direta ou indiretamente com empreendimentos de construção, seu dia-a-dia será cada vez mais invadido pelo BIM.

Quando se estuda e se aprofunda no aprendizado do uso do BIM percebe-se que estes novos processos arrancam uma ´pele´, que por vezes é até simpática e ´bonitinha´, e deixa ´exposta´ uma série de problemas e mazelas (para não dizer ´horrores´) que a nossa indústria já enfrenta há muitos anos.

E o uso do BIM mostra e esfrega nas nossas fuças, as inconsistências dos nossos projetos, a fragmentação dos nossos processos, nossos enormes índices de desperdícios e a pobreza da nossa comunicação, especialmente quando refletimos sobre como realizamos a gestão das informações nos nossos empreendimentos de construção.

Ou seja, mais uma vez reforça a importância da comunicação nas nossas vidas. E a comunicação adequada, quando se trata dos fluxos de trabalho da construção, pressupõe a utilização de padrões, de classificação e codificação das informações, para que possam ser criadas, trocadas, reutilizadas e gerenciadas, não apenas por seres humanos, mas também por softwares.

O que ainda precisa ser feito para a evolução do BIM no Brasil?
O Governo Federal Brasileiro já tem feito a sua parte. Desenvolveu e instituiu a ´Estratégia BIM BR´ e tem prosseguido concretamente com seus esforços, por exemplo, através da publicação do ´Edital de Chamamento Público Nro. 003/2019´, que foi contratado e está em execução através de um acordo de cooperação firmado entre o Ministério da Economia e a RECEPETi – Rede Catarinense de Inovação.

Mas a cadeia produtiva da construção civil é imensa. São muitos os diferentes agentes envolvidos. Certamente que o Governo Federal, como um dos principais ´contratantes´ de empreendimentos de construção, tem um papel vital e consegue mobilizar e influenciar a cadeia utilizando o seu ´poder de compra´. É o que tem sido feito, aliás. Mas isso basta?

Quando analisamos essa questão á luz do que já foi realizado em outros países, onde o uso do BIM já está mais maduro que aqui no Brasil, percebemos que a resposta é não, não basta.

Precisaremos ajustar leis e regulamentações que regem os empreendimentos públicos e privados de construção.

Será preciso definir padrões de conteúdos (bibliotecas de objetos BIM e protocolos) e desenvolver planos para a adequação da nossa infraestrutura tecnológica (banda larga de internet, acesso a software e hardware).

Também será necessário definir padrões de compras e contratações (públicas e privadas) e ainda, também será preciso estruturar materiais didáticos, definir ementas para a capacitação de diferentes perfis de pessoas que atuam na indústria da construção.

Sobretudo, será preciso coordenar e integrar os esforços para que as ações que ainda precisam ser realizadas possam se integrar e completar umas às outras, senão, podemos fazer mais do mesmo, ou então, corremos o risco de errarmos no início.

Artigo publicado na Agência CBIC