Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Construção civil cria mais de 100 mil novos empregos em 2021

Impulsionada pelo mercado imobiliário e pelo segmento de reformas, a construção civil fechou o 1º trimestre de 2021 com 111.987 novas vagas ocupadas, segundo dados recentes do Caged (Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Em janeiro, ocorreram 43.498 novas admissões; em fevereiro, 43.469, e em março, 25.020. O Caged mede o saldo mensal entre contratações e demissões no mercado de trabalho formal, ou seja, entre os empregados com carteira assinada. 

O desempenho da construção civil no 1º trimestre de 2021, em comparação com o mesmo período de 2020, registra crescimento de 166,05%. Entre janeiro, fevereiro e março do ano passado, o setor abriu 42.092 vagas formais diante das 111.987 atuais. Os dados do Caged são apurados pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, vinculada ao ministério da Economia. 

Com os resultados do 1º trimestre, a construção civil segue em 3º lugar entre os setores que mais ofertam vagas formais no país, atrás da indústria e do comércio, e à frente do agronegócio e do setor de serviços. Para o presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), Luiz França, isso demonstra que o setor tem sido pujante no enfrentamento da pandemia. “Independentemente das restrições impostas pelo COVID-19, milhares de postos de trabalho são criados continuamente na área, mês a mês, o que demonstra o potencial de geração de empregos da construção civil”, diz. 

Cortes no Orçamento da União ameaçam ritmo de empregabilidade do setor 
Há quem entenda, porém, que esse ritmo de abertura de vagas possa diminuir no 2º trimestre (abril, maio e junho). As razões citadas são a aceleração da pandemia no mês de abril – o que fez com que o lockdown em algumas cidades atingisse o varejo de materiais de construção – e os cortes promovidos pelo governo federal no Orçamento da União para 2021, que afetaram diretamente o programa Casa Verde e Amarela. 

Compartilham dessa tese organismos como CBIC, Anamaco, Abramat e os SindusCons espalhados pelo país. “O que mais preocupa é a perspectiva de paralisação de obras de habitações populares, decorrente do corte de verbas no orçamento. Se não houver uma alternativa para repor esse corte no orçamento, a produção de 215 mil unidades habitacionais corre risco no país. Significa ameaçar mais de 400 mil empregos diretos e indiretos no setor da construção imobiliária”, avalia Odair Senra, presidente do SindusCon-SP. 

Para entender os cortes, o Orçamento da União atingiu diretamente o FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) e o FDS (Fundo de Desenvolvimento Social). O FAR subsidia a produção habitacional da iniciativa privada para o segmento de casas populares. Foram cortados 98% de sua dotação, que passou de 1,54 bilhão de reais para 30,8 milhões de reais. Já o FDS alimenta a produção de moradias gerenciadas por organismos como sindicatos e associações. O fundo teve corte superior a 50%, e foi reduzido de 720 milhões de reais para 360 milhões de reais. Esses recursos destinam-se ao pagamento de obras em execução ou que, após interrupções, haviam sido retomadas.  

Matéria publicada no Massa Cinzenta