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Construcarta Conjuntura: A ata do “COPOW”

No último dia 26, o Banco Central divulgou a ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana anterior. A leitura das discussões da diretoria do Banco, transcritas na ata, revela aspectos de interesse para avaliar a conjuntura atual. Em síntese, tudo indica que o Banco Central está vislumbrando uma recuperação em “W”, resultado dos efeitos da segunda onda da Covid-19 sobre a atividade econômica.

Pela lógica do regime de metas para a inflação, o Banco Central deve elevar a taxa básica de juros sempre que houver indícios de que, nos meses à frente, a inflação vai se elevar, distanciando-se do centro da meta (4% ao final do ano no caso brasileiro). Depois de uma queda acentuada entre março e agosto, o IPCA tem dado sinais recorrentes de alta e, no acumulado de 2020, fechou em 4,52%. E essa pressão altista sobre a inflação em 12 meses deve persistir, em parte por um efeito estatístico – os primeiros meses de 2020 registraram variações bem pequenas – e, em parte, por altas de preço já previstas ou anunciadas, como o reajuste dos planos de saúde e a majoração dos combustíveis.

De volta à ata do Copom, sua leitura revela que, frente a esse cenário, os diretores chegaram a colocar em pauta a elevação da taxa Selic, em linha com a lógica do regime de metas. No entanto, frente à desaceleração da recuperação econômica, a decisão foi manter a taxa básica em 2% ao ano.

Confrontados com outros indicadores-chave, o conteúdo do documento permite projetar um primeiro semestre ainda difícil para boa parte dos setores de atividade. Assim, segundo o IBGE, o volume de vendas no varejo já havia recuado 0,1% em novembro, enquanto a PNAD contínua estimava uma taxa de desocupação de 14,1% no trimestre encerrado naquele mesmo mês, agravada por uma taxa de subutilização de 29% no mesmo período.

Em linha com essa percepção menos otimista, o Ministério da Economia tem sinalizado a possibilidade de retomar, em alguma dimensão, o pagamento do auxílio emergencial. Mas, para tanto, será preciso adotar, ao mesmo tempo, medidas compensatórias que evitem o aprofundamento do quadro fiscal já bastante desequilibrado.

Se é verdade que as incertezas persistem e os efeitos benéficos da vacinação ainda estão longe no horizonte, também é certo que o ano de 2021 está começando menos aquecido do ponto de vista econômico.

A íntegra da análise realizada pela FGV em parceria com o SindusCon-SP está disponível aqui.

Matéria publicada no Sinduscon-SP