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Construcarta Conjuntura: Inflação ou desemprego ou ambos?

Um dos trade-offs mais conhecidos em Economia se refere à alternância entre inflação e desemprego. Esses indicadores costumam ser faces opostas do ciclo econômico e, de certa forma, um é o “preço que se paga” para não ter o outro. Pelo menos é o que dizem os manuais de Macroeconomia e o que se observa quando a atividade econômica se encontra em sua dinâmica habitual. Mas a conjuntura atual não tem nada de habitual.

Por conta disso, o país vive, a um só tempo, a aceleração dos preços – com o IPCA acima de 6,5% no acumulado em doze meses – e níveis bem elevados de desemprego – mais de quatorze milhões de pessoas. O baixo ritmo da atividade econômica também se reflete no IBC-Br que registrou recuo de 1,59% em março na comparação dessazonalizada com o mês anterior. Com esse resultado, a variação acumulada no primeiro trimestre do ano ficou em 2,3%.

Essa “anomalia” deixa claro que o comportamento dos preços vem sendo influenciado pelo forte choque de custos causado, sobretudo, pela alta sustentada da taxa de câmbio que não dá sinais de reversão no horizonte visível. Durante o tempo que foi possível, o Banco Central evitou puxar para cima a taxa Selic – remédio genérico do regime de metas para a inflação.

Mas, nas últimas reuniões, o Copom decidiu por duas altas sucessivas de 0,75 ponto percentual. Não elevar os juros poderia comprometer a reputação do Bacen, transmitindo a mensagem indesejável de leniência inflacionária.

As consequências dos ciclos de alta de juros sobre a demanda são bem conhecidas: a elevação das taxas e a escassez de crédito afetam sobretudo as compras a prazo, criando um ambiente desfavorável para a alta de preços e dificultando os repasses de custo. O resultado, em princípio, seria menos crescimento de curto prazo, mas também menos inflação.

Vistos em conjunto, todos esses indicadores sugerem que, enquanto persistirem as pressões inflacionárias vindas dos custos, a economia brasileira terá que “andar com o freio de mão puxado”. Não é por outro motivo que as expectativas de crescimento para o ano têm sido revistas sistematicamente para baixo, enquanto as projeções para dólar, juros e inflação seguem em patamares elevados.

Leia a íntegra da análise do SindusCon-SP elaborada pelo FGV/Ibre aqui.

Matéria publicada no Sinduscon-SP