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Construcarta Conjuntura: Superando (ou “surfando”…) a segunda onda

Apesar do agravamento da pandemia, o PIB brasileiro surpreendeu os analistas econômicos com alta de 1,2% frente ao trimestre anterior na série dessazonalizada. Esse foi o terceiro resultado positivo nesse tipo de comparação depois da forte queda registrada no segundo trimestre de 2020, após o impacto inicial da pandemia. Todos os três grandes setores apresentaram variações positivas: agropecuária (5,7%), indústria (0,7%) e serviços (0,4%).

Chama a atenção o desempenho da agropecuária, bastante favorecido pela alta cambial e dos preços das commodities no mercado internacional que impulsionaram as atividades exportadoras. No setor industrial, os dois maiores destaques ficaram por conta da atividade extrativa, com alta de 3,2%, e da construção, que avançou 2,1%, sempre na comparação dessazonalizada com o trimestre imediatamente anterior. No outro extremo, a indústria de transformação apresentou recuo de 0,5%.

No entanto, essa pequena queda teve um aspecto de “freio de arrumação”, pois esse segmento vinha crescendo a taxas elevadas nos períodos anteriores, chegando a março deste ano cerca de 30% acima do fundo do poço atingido no segundo trimestre de 2020.

Por sua vez, o setor de serviços, responsável por cerca de 70% do PIB total, revelou um aspecto importante: o desempenho do segmento de transportes, cujo crescimento foi de 3,6%. Essa é uma característica relevante da expansão observada no primeiro trimestre, uma vez que sugere que o crescimento foi mais disseminado do que o observado nos trimestres anteriores.

Do ponto de vista dos componentes da demanda agregada, o grande destaque ficou por conta da formação bruta de capital, que avançou 4,6% frente ao quarto trimestre do ano passado, já livre de influências sazonais. As despesas de consumo das famílias e do governo registraram queda: 0,1% e 0,8%, respectivamente. Como no caso da indústria de transformação, a queda no consumo – muito influenciada pela ausência de pagamentos do auxílio emergencial no período – ocorreu depois de fortes altas nos períodos anteriores. Com isso, o gasto das famílias fechou o primeiro trimestre cerca de 11% acima do fundo do poço atingido no segundo trimestre do ano passado. Influenciado pelo câmbio ainda muito elevado, as importações cresceram 11,6% e as exportações, 3,7% na mesma base de comparação.

O desempenho surpreendente do PIB no início de 2021 deverá resultar na revisão das projeções para o ano. Caso o nível de atividade atingido no primeiro trimestre permaneça inalterado (crescimento zero na comparação dessazonalizada) até dezembro, o PIB de 2021 terá alta de 4,5% na comparação com 2020. Para que se tenha uma noção de como os resultados do primeiro trimestre surpreenderam, as projeções do Boletim Focus de 28 de maio (edição mais recente) eram de alta inferior a 4% para o PIB deste ano.

É claro que o desempenho da economia ainda está sujeito a fortes incertezas. Pesam contra a aceleração do ciclo de alta de juros e a inflação, que tendem a reduzir os gastos de consumo das famílias. A favor tem-se a marcha da vacinação que, apesar de muito lenta, seguirá ampliando a imunização da população ao longo dos próximos trimestres.

Leia a íntegra da análise elaborada pelo FGV/Ibre para o SindusCon-SP aqui

Matéria publicada no Sinduscon-SP