Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Digitalizar a construção civil exige modernizar o curso de engenharia, conclui  debate no ENIC

Modernizar o currículo dos cursos de engenharia e arquitetura no Brasil e tornar efetiva a integração entre empresa e universidade são dois fatores fundamentais para ampliar a digitalização na construção civil, reduzindo custos e prazos de edificação e contribuindo na preservação do meio-ambiente.

A conclusão é do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, e dos arquitetos e urbanistas Rogério Suzuki e Ricardo Codinhoto no painel virtual Pós-BIM (Bulding Information Modeling), realizado nesta quinta-feira (26). O painel fez parte da programação especial que antecede o 92º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), a ser realizado online em 2 e 3 de dezembro.

Embora não se discuta mais no país a necessidade de se ampliar a utilização do BIM na construção civil, como sublinhou Rogério Suzuki, sua implementação é ainda baixa nos diversos segmentos do setor. Um dos maiores problemas na disseminação do BIM no Brasil, concordaram Martins e Suzuki, é a escassez de mão de obra especializada para operar o software, que, entre outros benefícios, agrega virtualmente todos os detalhes do processo de construção, detalhando tipos e quantidades de insumos.

Professor na Inglaterra, Ricardo Codinhoto fez um relato do processo de digitalização inglês, em fase bastante adiantada na construção civil. Entre os exemplos que citou estão o controle das enchentes do rio Tâmisa por meio digital, o uso de uma vestimenta robótica que permite ao trabalhador carregar material pesado e a introdução de um micro sensor no concreto, com Bluetooth, que mede a temperatura e a qualidade do material.

Ao defender, como Suzuki e o presidente da CBIC, a necessidade de maior integração entre empresas e universidades, Codinhoto sugeriu que se adotasse no Brasil, como se faz na Inglaterra, como um dos indicadores do desempenho das universidades, a empregabilidade dos formados até três meses depois da graduação.

Segundo José Carlos Martins, há dificuldades no relacionamento entre as empresas e as universidades que precisam ser superadas. “Nosso atraso pode ser uma grande oportunidade para se disseminar a digitalização. Existe um outro mundo rodando por aí”, declarou ele.

Lembrou que, entre abril e junho, em plena pandemia da Covid-19, quando foram fechados os plantões presenciais de venda em São Paulo, ocorreram mais de 60% das vendas de imóveis acumuladas na capital paulista este ano, via online.  “Está crescendo um debate nacional voltado para a necessidade de se melhorar a competitividade no Brasil”, pontuou o presidente da CBIC.

O 92º ENIC, o mais importante fórum de debates dos temas estratégicos e da agenda nacional da construção, é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e conta com a correalização da Asbraco-DF, Sinduscon-DF e Ademi-DF. O evento conta com apoio do Sesi Nacional e do Senai Nacional e com patroci´nio platinum da Arcelormittal Brasil e silver do Sebrae.

Matéria publicada na Agência CBIC