Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Empresas reduzem ritmo de produção para escapar do aumento nos custos

A demora na entrega e a alta de preços de materiais está obrigando empresas de diversos setores a colocar o pé no freio e conter o ritmo de produção. Em alguns casos, a estratégia visa aguardar um reequilíbrio da cadeia produtiva. Em outros, há a necessidade reduzir prejuízos.

A situação se arrasta desde o ano passado, quando a cadeia de suprimentos reduziu drasticamente a produção temendo queda na demanda.

A desmobilização da indústria –fornos siderúrgicos chegaram a ser desligados, por exemplo– nos primeiros meses de pandemia acabou desequilibrando as cadeias produtivos em diversas áreas.

Além disso, o câmbio valorizado favoreceu as exportações, reduzindo a disponibilidade no mercado interno.

A indústria esperava normalização em 2021, mas essa expectativa vem sendo frustrada, dizem empresários.

Na construção civil, cronogramas de obras estão sendo revistas até semanalmente devido à dificuldade de insumos. O incorporador Bruno Sindona conta que, em dois empreendimentos já em andamento, foi necessário mudar as fases da execução para compensar atrasos na entrega.

Os principais problemas do empresário são os prazos e a disponibilidade de aço –e essa dificuldade, diz ele, pode ser medida pelas planilhas de orçamentos. “Nosso mapa de cotação está cheio de buracos”.

A entrega de cimento, segundo ele, começa a se reequilibrar. Há alguns dias, conseguiu comprar as barras de ferro que precisava e, por isso, as obras estão andando. As contratações de operários, porém, precisaram ser reduzidas.

Com o ritmo menor de trabalho agora, o empresário prevê que custos maiores deverão aparecer em alguns meses, mesmo quando a situação do abastecimento se normalizar.

A pressão da alta de preços é maior sobre empreendimentos do programa habitacional Casa Verde e Amarela, o antigo Minha Casa, Minha Vida.

Concreto e ferro, diz Odair Senra, presidente do Sinduscon-SP (Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo), são grande parte do custo dessas obras, nas quais os incorporadores ganham mais com a escala, ou seja, o número de unidades vendidas.

 

Por lei, os contratos fechados pelos compradores são reajustados pelo INCC (Índice Nacional de Custos da Construção), em uma tentativa de compensar custos maiores. Não é o que vem acontecendo, porém. Em 12 meses até janeiro, o índice calculado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) está em 9,39%.

Para Senra, os efeitos das altas no mercado chegam com defasagem ao índice. “Já temos notícia de alta de 34% no aço em janeiro, e outro de 30% em março. Vai desequilibrar todas as obras. Os custos vão se exceder em 10%, 15%”.

Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo da Aço Brasil, diz que a entidade não comenta valores, mas defende que o setor siderúrgico está pressionado pelo aquecimento nas negociações de commodities, que encareceu as matérias-primas do setor, como sucata, gusa e minério de ferro.

“É importante deixar claro que não há um movimento especulativo no mercado. As matérias-primas estratégicas estão mais caras”, afirma. Segundo Lopes, o nível de fornecimento de aço ultrapassou, em junho, o que era vendido antes da pandemia. Eventuais atrasos podem vir de distribuidoras, às quais recorrem empresas menores, sem escala para a compra direta nas usinas.

O setor cimenteiro também diz que não fala de preços ou da relação entre fabricantes e clientes. Em nota, o Snic (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) afirma estar sofrendo com alta nos custos de insumos, como coque de petróleo.

Em 2020, o setor vendeu 60,8 milhões de toneladas de cimento vendidas, alta de 10,9% sobre 2019.

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