Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Entre Aspas: Alta dos materiais de construção impõe o reequilíbrio de contratos

A impressionante dimensão atingida pela escalada de preços dos materiais de construção e pelo desabastecimento desses insumos trouxe sérias dificuldades a toda a indústria da construção e já impacta os índices de inflação.

Os materiais de construção subiram tanto que têm inviabilizado a execução de contratos de obras do setor, sejam públicas ou privadas. Materiais metálicos como o vergalhão de aço, por exemplo, já subiram mais de 62% no acumulado de 12 meses, segundo o INCC (Índice Nacional de Custos da Construção).

Com as altas contínuas dos preços desses insumos, as construtoras viram-se obrigadas a reduzir os lançamentos de novos empreendimentos imobiliários.

A incerteza em relação ao comportamento futuro dos preços dos materiais dificulta a orçamentação de novas obras públicas e privadas. As construtoras têm se deparado com aumentos de preços de materiais muito acima dos indicadores da variação de custos utilizados para o reajuste dos contratos.

Como era de se esperar, esta situação tem trazido um enorme desgaste na relação das construtoras com seus fornecedores e clientes. Na habitação popular, não será atingida a meta do programa Casa Verde e Amarela, de atender 1,2 milhão de famílias até o final de 2022. O setor não consegue mais produzir ou lançar empreendimentos para as famílias de mais baixa renda, que constituem a maior parte do déficit habitacional brasileiro.

Simplesmente ficou inviável executar os contratos assinados com contratantes públicos a preço fechado, quando não havia previsão para tais aumentos.

Estudo realizado pela consultoria especializada Ecconit para o SindusCon-SP mostrou que os maiores impactos vêm de aço, cimento e produtos de alumínio, cobre e PVC. Juntos, respondem por 41% dos custos das construtoras paulistas com materiais.

Depois de elevações expressivas em 2020, só no primeiro bimestre esses insumos já aumentaram 30,6%, comparado a igual período de 2020 no Estado de São Paulo. As construtoras amargaram novos aumentos em março e foram informadas de que outros virão em abril!

O estudo mostrou que a formação de preços dos principais insumos da construção depende de fatores que não devem se alterar de modo significativo no curto prazo.

Os preços influenciados pelas cotações internacionais de commodities e pela taxa de câmbio, como os dos materiais de ferro e aço, continuarão pressionados, pois não se esperam expressivas quedas do dólar e dos preços internacionais nos próximos meses.

O mercado interno de insumos da construção sofre de grande desorganização. A situação tornou-se insustentável para as construtoras. Negociações para o reequilíbrio dos contratos de fornecimento de obras privadas e públicas tornaram-se imperiosas e inescapáveis.

Este reequilíbrio será decisivo para que o mercado volte a se organizar, a execução das obras se normalizar e o programa Casa Verde e Amarela retomar seu ritmo de contratação.

O “Entre Aspas” é uma publicação semanal do SindusCon-SP no jornal O Estado de S. Paulo (2 de abril de 2021).