Associação Brasileira da Construção

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Entre Aspas: Dados somem e impedem políticas públicas certeiras

Um “apagão de dados” está dificultando retratos precisos da realidade econômica e social do país.

A principal base de dados para as estimativas de déficit habitacional era a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Quando ela deixou de ser anual em 2015, ficamos sem informações relevantes para o cálculo desse déficit, como o nível de coabitação involuntária e o número de domicílios improvisados.

A PNAD Contínua, trimestral, retrata a evolução da ocupação e dos rendimentos no país. A pesquisa era realizada diretamente nos domicílios, compreendendo pessoas empregadas com e sem carteira assinada, por conta própria, empregadores. Devido à pandemia, há um ano as informações são coletadas por telefone, diminuindo sua abrangência domiciliar.

Outra mudança ocorreu no levantamento do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Desde janeiro de 2020, as empresas ficaram desobrigadas de alimentá-lo com dados sobre demissões e contratações, e estes passaram a ser coletados via eSocial. Os números da série antiga diferem daqueles da nova e perdemos a visão de uma única série histórica.

Em 2015, o Censo não realizou a contagem da população, por falta de orçamento. O dado é usado para definir repasses do Fundo de Participação dos Municípios, entre outros fins. Recentemente, cortaram-se do questionário questões relevantes como valor do aluguel, outras formas de rendimento (como Bolsa-Família), posse de veículos, TV ou telefone.

O Censo foi novamente adiado. Ficamos sem informações necessárias para a formulação de políticas públicas certeiras em saúde, educação, habitação, trabalho. O setor privado deixa de ter dados relevantes para decisões estratégicas sobre o direcionamento dos negócios. O planejamento do almejado desenvolvimento sustentado do Brasil ficou mais distante.

O material é parte da coluna Entre Aspas do SindusCon-SP no jornal O Estado de S. Paulo no dia 7 de maio de 2021.