Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Novos concretos que vão surpreender na próxima década

Oito novos tipos de concreto prometem se destacar na próxima década. São materiais que propõem concepções inovadoras para paredes, fachadas, pisos e estruturas. Entre eles, o concreto translúcido leve. A austríaca Luccon desenvolveu placas pré-fabricadas entremeadas por minúsculas malhas de fibras ópticas (fios de 0,4 milímetros) que possibilitam maior penetração da luz, sem comprometer a resistência do material.

O concreto translúcido leve ainda utiliza areia de quartzo como agregado, o que dá às placas diferentes efeitos de luz. O material já é muito procurado pela arquitetura de decoração e por designers de fachadas, principalmente nos países árabes, no Japão, na China, na Índia e na Indonésia. Vendido nas medidas de 1,5 m x 1 m ou 2 m x 1 m, cada artefato tem entre 2 a 3 centímetros de espessura. O valor de uma placa é cerca de 60 dólares.

Outra novidade é o concreto gráfico. Ideal para fachadas, a invenção finlandesa pode receber as mais variadas estampas, personalizando a obra. Trata-se de uma espécie de serigrafia sobre painéis pré-fabricados de concreto. A tecnologia utiliza membrana biodegradável aplicada na fôrma em que a peça pré-fabricada é produzida. Durante a cura do concreto a imagem estampada na membrana fica impressa no painel.

O fabricante afirma que o custo varia de projeto para projeto. O painel-padrão mede 3,2 m x 3,2 m, mas já foram fabricadas peças medindo 7 m x 3 m. O custo médio de cada painel é de 36 euros por m2. A membrana é o processo mais caro da tecnologia, já que as demais etapas seguem o padrão convencional da pré-fabricação do concreto.

Da Carolina do Sul-EUA, vem os painéis arquitetônicos de concreto com fibras de carbono. O material tem como características ser 60% mais leve que as peças pré-fabricadas convencionais. Por causa do excelente desempenho térmico e acústico, esse produto pode ser usado tanto em paredes estruturais quanto em paredes de vedação. Existem projetos que já utilizaram o material em lajes. Para paredes de vedação, o painel arquitetônico de concreto com fibras de carbono custa 12 dólares o m2. Para outras estruturas, o fabricante afirma depender de cada projeto.

Ainda mais tecnológico é o concreto Chronos Chromos. O material possibilita projetar imagens em sua superfície como se fosse um painel de LED. Desenvolvido por 3 estudantes britânicos da Unidade de Inovação do Royal College of Art – Chris Glaister, Afshin Mehin e Tomas Rosen -, esse concreto incorpora pigmentos termocromáticos que, quando aquecidos por um sistema elétrico, mudam de cor. A alteração cromática, manipulada por microprocessadores, permite formar padrões complexos e exibir informações na parede, como horários, imagens publicitárias ou de utilidade pública. O concreto Chronos Chromos ainda não está disponível comercialmente.

Outro concreto inovador vem da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. O material é um tipo de concreto dobrável, com resistência 500 vezes superior ao concreto convencional e 40% mais leve. Entre seus agregados estão areia de sílica, cujos grãos medem apenas 100 mícrons de diâmetro, e fibras de álcool polivinílico (conhecido como PVOH, PVA ou PVAL).

Quando sobrecarregadas, as fibras lubrificadas escorregam em vez de fraturar e possibilitam que o concreto dobre. Ideal para estruturas em regiões sísmicas, o material já foi usado como protótipo em dois prédios de Tóquio – Roppongi Pacific Tower e Nabeaure Yokohama Tower. É outro concreto que ainda não chegou ao mercado.

Papéis de parede e ladrilhos que revelam decorações em contato com a água 

Já da Alemanha surgem as fôrmas emborrachadas para concreto aparente. Elas permitem dar texturas personalizadas ao material, seja para fachadas ou paredes internas. A ideia foi aprimorada pela Reckli, que tornou o sistema mais eficaz e barato. As fôrmas podem ser reutilizadas até 100 vezes, permitindo que seu custo seja comparável ao das fôrmas de alumínio, ou seja, o valor por m² varia entre 150 dólares a 350 dólares, dependendo do projeto.

Porém, os britânicos foram mais longe: criaram um papel de parede de concreto. São lâminas do material que medem pouco mais de meio centímetro e, a exemplo dos papéis de parede convencionais, recebem texturas decorativas. O material pode ser usado para revestir, para dar reforço estrutural a uma parede de vedação ou para auxiliar no desempenho acústico. Também pode ser utilizado em pisos ou tetos, menos em áreas úmidas. Por ser produzido sob medida para cada projeto, o papel de parede de concreto é caro. Dependendo das dimensões, cada placa pode custar até 1.500 dólares.

Especificamente para banheiros, os holandeses criaram ladrilhos de concreto que, em contato com a água, formam figuras como folhas, flores ou desenhos geométricos. O segredo está no uso de pigmentos orgânicos, que mudam de cor ao manter contato com a água. Quando as peças secam, elas voltam a ter uma cor única: acinzentado típico do Cimento Portland. O material é recomendado para pisos e paredes e se adéqua também em projetos de piscinas, jardins e saunas. Como todo produto inovador, esse ladrilho de concreto ainda é para poucos. Cada peça tem a dimensão de um azulejo português (15 cm x 15 cm) e não sai por menos de 40 dólares. Os designers que inventaram o material estimam que assim que a produção ganhar escala o preço da unidade reduzirá sensivelmente.

Matéria publicada no Massa Cinzenta