Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Pessimismo diminui na construção 

A percepção pessimista dos empresários da construção arrefeceu ligeiramente em maio, segundo a Sondagem da Construção do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

O Índice de Confiança da Construção (ICST) subiu 2,2 pontos em maio, para 87,2 pontos, a primeira alta deste ano. Mas em médias móveis trimestrais, o índice recuou 1,6 ponto, a quinta queda consecutiva.

A pontuação vai de 0 a 200, sendo que a partir de 100 denota percepção otimista. Foram coletadas informações de 681 empresas entre os dias 3 e 24 deste mês.

Na análise de Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV/IBRE, a tímida melhora em maio não reverteu a sequência de quatro resultados negativos. “O índice de confiança continua em nível inferior ao patamar alcançado no final do ano passado e ainda sinaliza a predominância de um pessimismo entre as empresas. Esse sentimento se contrapõe cada vez mais às expectativas otimistas de retomada do crescimento setorial que prevaleceram até o início do ano.”

A economista observa que, segundo os empresários do setor, a demanda não avançou o suficiente para sustentar um novo ciclo. “E a alta de preços dos insumos permanece como uma limitação cada vez maior, dificultando a continuidade e realização de novos negócios”, avaliou.

O resultado positivo do ICST em maio refletiu a melhora da percepção dos empresários na avaliação sobre o momento atual e das expectativas em relação aos próximos meses. O Índice de Situação Atual (ISA-CST) subiu 1,2 ponto, para 85,5 pontos, interrompendo quatro meses de quedas consecutivas. A alta do ISA-CST foi influenciada principalmente pela melhora do indicador de situação atual dos negócios, que subiu 2 pontos, para 86,4 pontos.

O Índice de Expectativas (IE-CST) avançou 3 pontos, para 89 pontos, devolvendo parte da perda do mês passado (-4 pontos). Esse resultado se deve às melhoras dos indicadores de demanda prevista, que subiu 3 pontos, para 87,7 pontos, e de tendência dos negócios, que se elevou em 3,1 pontos, para 90,5 pontos.

Onerosidade excessiva 
Em resposta de múltiplas assinalações, o custo da matéria-prima alcançou percentual recorde de empresas que o citam como o fator limitativo à melhoria dos negócios (40%), ficando atrás apenas do item demanda insuficiente (50%).

Com o fechamento dos acordos coletivos de trabalho, o componente mão de obra também começa a pressionar os custos empresariais. Desde junho, quando os custos começaram a subir vertiginosamente, a maioria das empresas aponta que os preços praticados vão subir nos próximos três meses. “Vale notar que a consequência imediata desse movimento é o encarecimento do investimento, o que torna mais lenta e difícil a recuperação da economia”, observa Ana Castelo.

Matéria publicada no Sinduscon-SP