Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Pré-moldados: ferramentas essenciais para o reaquecimento 

Historicamente, gestores e empresários da construção civil buscam formas de reduzir os custos dos projetos e aumentar a eficiência, garantindo prazos cada vez mais curtos. Nesse sentido, os pré-moldados, estruturas de concreto moldadas em um ambiente controlado antes do seu posicionamento definitivo na estrutura, foram um dos maiores avanços do setor.  

A ideia de utilizar estruturas pré-moldadas na construção de grandes obras não é nova: a extensa rede de túneis construída?na Roma Antiga e existente?até hoje parece indicar o uso de materiais de construção pré-fabricados. No entanto, foi somente no século XX que a primeira patente para a criação de edifícios com painéis de?concreto pré-moldado foi registrada pelo engenheiro inglês John Alexander Brodie.? 

Desde então, a tecnologia de pré-moldados evoluiu muito. De acordo com uma sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizada em 2016, os pré-moldados de concreto?no Brasil possuem vasta aplicação?em?obras industriais, comerciais, habitacionais e de infraestrutura (pontes, viadutos, passarelas, portos, aeroportos e na área de energia), além de complexos esportivos como estádios e arenas. 

Os desafios para o crescimento?dos pré-moldados na construção brasileira 

Os pré-moldados ganham?cada dia mais espaço na construção brasileira. Os motivos para isso são inúmeros: os sistemas construtivos industrializados, como as estruturas pré-moldadas, possibilitam que um projeto seja executado com maior controle de qualidade, menor?custo e menor tempo de execução.  

Além disso, eles possuem uma vasta aplicabilidade, podendo?ser utilizados nas diferentes partes de uma obra, sejam?estruturas, vedações, coberturas, fachadas, revestimentos internos, sistemas prediais hidráulicos e elétricos, entre outros. 

Segundo Íria Doniak,?presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), atualmente, a?construção brasileira está apta à industrialização das obras,?desde a fundação até a?fachada, com desenvolvimento tecnológico compatível com o de?empresas internacionais do segmento.  

"O?crescimento do setor?está associado à produtividade. A?industrialização é fundamental quando se alia a necessidade de comprimir cronogramas e assegurar qualidade", afirma.  

As estruturas de concreto pré-fabricado têm como principais características?resistência, durabilidade e precisão dimensional. No entanto, a presidente da Abcic ainda aponta alguns obstáculos para a ampla utilização dos pré-moldados no país.  

De acordo com Doniak, o?principal desafio é a diferença?tributária existente entre os sistemas produzidos em fábrica, chamados de industrializados,?e a construção nos métodos convencionais ou racionalizados, executados no próprio canteiro.   

"Essa disparidade, diferentemente do que ocorre em países europeus e nos Estados Unidos, compromete a competitividade, principalmente nas obras habitacionais", diz.  

Além disso, mesmo que os benefícios dos pré-moldados já tenham sido comprovados na prática, muitos gestores relutam em adotá-los devido ao alto investimento?inicial. Doniak aponta que, na hora de mensurar o Retorno sobre o Investimento (ROI), é preciso realizar uma avaliação integrada e não parcial da relação custo-benefício dos métodos construtivos.  

Tal avaliação deve ponderar?outros critérios além do custo direto, visto que o?aumento de produtividade proporcionado pela industrialização —?com redução do prazo de construção, maior desempenho, neutralização dos impactos ambientais e diminuição?de passivos trabalhistas —?possui impacto direto no custo final do projeto. 

Os pré-moldados e o reaquecimento da economia brasileira 

A pandemia do novo coronavírus teve um forte impacto no setor de construção no país. De março para abril deste ano, a Abcic registrou uma redução de 15,9% nas obras em andamento, devido às medidas de isolamento social que possuem o objetivo de reduzir a propagação do vírus.  

O setor de construção, que apresentava sinais de recuperação depois de anos de recessão, teve que se reinventar mais uma vez e se adequar às novas exigências. Na última década, as estruturas pré-moldadas de concreto?demonstraram a importância de as indústrias estarem preparadas para atender?imediatamente a grandes demandas, não somente em volume, mas em complexidade de empreendimentos.  

Segundo Doniak, os pré-moldados podem?contribuir para o reaquecimento da construção civil brasileira de diversas maneiras, como na execução de obras com cronogramas ousados, aliando produtividade, qualidade e menor impacto ambiental. Para isso, a indústria deve aplicar inovação e tecnologia, um rigoroso controle tecnológico e mão de obra altamente qualificada.  

Dados da Abcic mostram que?o uso dos pré-moldados pode reduzir em até 50% o tempo de execução de um projeto e em até 80% o nível de resíduos gerados?em relação aos métodos tradicionais. Isso é conseguido por meio de tecnologias?como o concreto auto adensável, que além agregar melhor desempenho, eliminando?etapas do processo produtivo,?tem impacto favorável no ambiente de trabalho, reduzindo ruídos.  

O alinhamento do uso dos pré-moldados com a tecnologia Building Information Modelling (BIM)?também permite observar evolução no que diz respeito ao aumento da?eficiência e da construtibilidade?das ligações dos elementos pré-moldados, bem como uma maior oferta no mercado de sistemas de içamento e ligações produzidas em empresas especializadas.  

A junção dessas tecnologias é o que permite uma maior precisão dimensional, necessária para o crescimento da verticalização?dos edifícios, como é o caso?de empreendimentos como o Varanda Botânico, de Ribeirão Preto, que teve a construção do?seu subsolo de cinco pavimentos integralmente pré-fabricada em concreto.?  

Doniak finaliza afirmando que os pré-moldados permitiram à indústria da construção vencer?não somente os desafios de prazo, mas especialmente de tecnologia.   

"Tudo?isso possibilita uma interação e um alinhamento com as ferramentas aplicadas à?indústria 4.0,?que abrange desde as necessidades ainda básicas para o nosso país até as soluções para as cidades inteligentes, uma dualidade para a qual devemos estar constantemente preparados".  

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Matéria publicada na Concrete Show