Associação Brasileira da Construção

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Quais são os novos desafios que se impõem ao engenheiro civil?

Dia 25 de outubro é o dia do engenheiro civil e da engenheira civil, haja vista que 179.218 profissionais registradas no Brasil são mulheres, segundo dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). A data é simbólica, mas os desafios são reais. E eles se impõem ao profissional da área, que precisa ter atuação cada vez mais especializada. Existem 8 segmentos que passaram a cobrar do engenheiro civil maior conhecimento. São: materiais de construção, cálculo estrutural, custos e orçamento, geotecnia, gestão de projeto, meio ambiente, segurança do trabalho e infraestrutura.

Para o engenheiro civil que for se dedicar a aprimorar, aferir ou desenvolver materiais de construção é necessário dedicação à pesquisa. Seja em laboratórios de empresas privadas ou no universo acadêmico. Já a especialização em cálculos estruturais é uma das atividades mais clássicas da engenharia e requer precisão, pois influencia todas as etapas da obra. O mesmo se pode dizer para quem for atuar com custos e orçamento.

Um ramo de especialização da engenharia civil que passou a atrair profissionais é a geotecnia. Requer a aplicação de métodos científicos e suas conclusões sobre o solo em que a obra será assentada, influenciam desde a escolha dos materiais até o projeto. Por falar em projeto, eis outra área que atrai muitos engenheiros civis. Só que agora ela está mais intrínseca. Em função da evolução normativa, os projetos arquitetônicos e estruturais deixaram de ser genéricos.

As plantas tornaram-se mais detalhistas e passaram a exigir profissionais dedicados exclusivamente à hidráulica, à elétrica, à fachada, ao desempenho termoacústico e outras especificações. Isso inclui conhecimento tecnológico dos engenheiros civis, pois hoje não se faz gestão de projetos sem o auxílio de softwares. Sim, eles dominam cada vez mais o setor. Estudo de 2019 mostra que 100% das empresas de engenharia associadas a organismos como Abece, SindusCons, CBIC, Ibracon e Abcic já utilizam softwares em seus processos.

Não há dúvidas de que a construção civil se transforma em um ambiente tecnológico. Um exemplo: a partir de 1º de janeiro de 2021, o uso da ferramenta BIM (Building Information Modeling) torna-se obrigatório no Brasil e será adotado em 3 fases. A primeira, engloba obras de infraestrutura financiadas com recursos federais. Em 2024, valerá para todos os projetos e gestão de obras, independentemente de serem públicas ou privadas. Já em 2028, a tecnologia será obrigatória também para o gerenciamento e a manutenção de empreendimentos construídos.

No canteiro de obras, engenheiro civil também é um gerente de recursos humanos
Mas nos tempos atuais, o engenheiro civil não precisa necessariamente ser um gestor de tecnologias. O espectro de atuação é amplo e as áreas ambiental e de relações humanas também oferecem oportunidades ao profissional. No primeiro caso, vale lembrar que o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de construções sustentáveis, atrás de Estados Unidos, China, Canadá e Índia. No segundo caso, se for atuar no canteiro de obras, além de conhecimento técnico, o engenheiro necessita ser também um gerente de recursos humanos. Haja vista que ele terá que se envolver com coordenação de pessoas, trabalho em equipe, delegação de responsabilidades e resolução de conflitos. Se quiser se especializar em segurança do trabalho, precisará também entender de normas regulamentadoras e leis trabalhistas.

Somado aos desafios na carreira, o engenheiro civil ainda está sujeito a mudanças institucionais nos organismos que controlam a profissão. Como é o caso do movimento cada vez mais crescente que defende o descolamento do sistema Confea/Crea para a criação da Ordem de Engenheiros Civis do Brasil. A alegação é que a engenharia civil perde espaço no mercado de trabalho, com outros profissionais invadindo suas atribuições, incluindo os de nível técnico. Outra justificativa é que a engenharia civil se tornou uma atividade multidisciplinar por excelência e que precisa de um organismo com visão holística para representá-la.

Matéria publicada no Massa Cinzenta