Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

A experiência japonesa na operação do setor de habitações industrializadas

Diana Csillag, Coordenadora Executiva do CICS conversou com o engenheiro Masa Noguchi, professor da Universidade de Melbourne. A conversa tratou da experiência japonesa com construção modular industrializada e das possibilidades de aceleração da tecnologia no Japão e no mundo.

CICS: O Japão é considerado um modelo de sucesso na produção de moradias “customizadas” e pré-fabricadas. Por que você acha que o Japão tem uma taxa de adoção maior em comparação com outros países?
Masa Noguchi:
Os fabricantes de habitação japoneses colaboram entre si através de uma associação de pré-fabricados bem estabelecida fundada em 1963. Os esforços colaborativos ajudam a compartilhar conhecimento técnico e desenvolver a base promocional para se inserir no mercado maciçamente com inovações que ainda não são aplicadas às casas convencionais.
No entanto, a taxa de adoção não é tão alta quanto a Suécia ou os EUA, mas o Japão supera o número de entregas efetivas.
No Japão, os consumidores apreciam a qualidade superior da habitação industrializada em dimensões físicas e psicológicas por meio de estratégias de produção e marketing focadas em valor. 

CICS: Como os fabricantes japoneses de habitação industrializada desenvolveram o conceito de valor para os clientes?
Masa Noguchi:
Os fabricantes japoneses de habitação industrializada personalizam a composição de elementos produzidos em massa e com isso reduzem seu custo de produção em quase 30%. A valor economizado com a redução de custos então é investida na melhoria contínua da qualidade do produto, enquanto o preço de venda é mantido o mesmo. Isso é conhecido como uma estratégia de marketing de custo-desempenho ou produção estratégica que demonstra ao público que o pré-fabricado é de qualidade
superior.

CICS: O que você acha que pode alavancar em escala o modelo de construção atual para o modelo modular industrializado?
Masa Noguchi
: Alguns fabricantes de habitação no Japão fornecem casas modulares com mais de 80% de seus componentes produzidos dentro da fábrica. E são capazes de aplicar o conceito de sistema de habitação
modular em edifícios de até 3 andares. 
Hoje no Japão a montagem da unidade pré-fabricada é altamente mecanizada, e a sofisticação da mecanização vem sedo desenvolvida desde 1959, ao longo de sua história sendo cultivada e recebendo uma resposta positiva do mercado.
No entanto, a base é a padronização. A padronização dos produtos e processos de construção é o fundamento da produção habitacional industrializada – e não a mecanização da montagem. A fabricação de qualidade de componentes de habitação modular pode ser realizada usando julgamentos flexíveis, habilidades e pontos de vistas das pessoas. O nível de industrialização do sistema habitacional e a mecanização da montagem podem ser construídos e aprimorados com base neste fundamento. Esse princípio pode ser aplicado a qualquer outro país, incluindo o Brasil.

CICS: ZEMCH é um acrônimo de Zero Energy Mass Custom Home, você pode explicar essa abordagem de design? 
Masa Noguchi:
"Zero Energy Mass Custom Home" (Casa Zero-Energia Industrializada e Personalizada) representa a interdisciplinaridade da entrega sustentável de moradias que se encaixam em duas tipologias – ou seja, casa de energia zero e casa industrializada personalizada. Estas são produzidas através da combinação de componentes padronizados de design de habitação pré-fabricado.
A abordagem de design industrial personalizado ajuda a reduzir o custo geral de entrega, valendo-se do aprimoramento da eficiência na comunicação e produção de design. A abordagem de casas de energia zero exigem a instalação de componentes de projeto passivo e tecnologias ativas de energia renovável, o que aumenta o custo de produção. Esses sistemas contribuem para garantir o custo zero de operação de energia. A abordagem ZEMCH de engenharia de design interdisciplinar permite a entrega de ambientes construídos de forma sustentável do ponto de vista social, econômico, ambiental e humano, em contextos globais.

Matéria publicada no CICS