No dia 5 de fevereiro, o Abcic Networking XXI reuniu associados, arquitetos, engenheiros e representantes de entidades setoriais (ABECE, Abramat, Ibracon e Sinaprocim) para debater dois temas importantes para o segmento: a Sondagem do Setor de Pré-Fabricados de Concreto e os impactos da Reforma Tributária, além de apresentar informações sobre a segunda edição do Modern Construction Show, marcada para ocorrer entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro, no Distrito Anhembi.
A abertura do encontro ficou a cargo da presidente executiva, Íria Doniak, que reiterou como o evento aborda os assuntos mais relevantes para a pré-fabricação de concreto no cenário atual, como a reforma tributária, que trará efeitos para indústrias, fornecedores, escritórios de projeto e construtoras. Apresentou ainda a agenda de eventos a serem realizados pela Abcic em 2026, incluindo o 2º SEMPRE (março), o Abcic Networking XXI (abril), o Seminário Abcic durante o Concrete Show (agosto), o Seminário durante o Modern Construction Show (setembro) e o Prêmio Obra do Ano 2026 (novembro), além dos eventos estratégicos do setor da construção apoiados e/ou patrocinados pela entidade. Outro destaque foi o lançamento da Webinar Series da Abcic, cujo primeiro evento será realizado em março, bem como a inauguração das Regionais no Nordeste e no Sul, previstas para abril e maio, respectivamente.
Na sequência, o presidente do Conselho Estratégico, Felipe Cassol, comentou sobre a evolução do setor nos últimos quatro anos e as oportunidades de crescimento para a construção industrializada. Ele refletiu sobre a reforma tributária, que altera profundamente a lógica da construção, redesenhando o negócio das empresas, e destacou como a industrialização será importante nesse novo momento, podendo se tornar uma alavanca competitiva relevante para o setor.
A primeira palestra foi proferida por Renato Cordeiro, head de Produtos da Francal, que informou que a próxima edição do Modern Construction Show — uma correalização da Abcic e Abcem, e realizada pela Francal Feiras — contará com novidades, como uma iniciativa para fomentar a vinda de clientes — arquitetos, engenheiros, construtoras e incorporadoras — de outros estados para o evento, além da parceria com a AsBEA-SP para a realização de dois eventos de conteúdo no período da manhã.
Na sequência, a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos do FGV Ibre, apresentou, em primeira mão, os dados da Sondagem do Setor de Pré-Fabricados de Concreto, que traz informações sobre o perfil das indústrias, seu desempenho recente e as expectativas. Em 2024, o setor registrou 8.560 empregados, e a produção total de pré-fabricados de concreto alcançou quase 880 mil m³. Em termos de tecnologia e sustentabilidade, a Sondagem apontou que 78% das indústrias utilizam concreto autoadensável, e que mais de 56% estão em fase de estudos para a implantação do Ultra High Performance Concrete (UHPC). Outro dado relevante é que 14% das empresas já implementaram ou estão em fase de implementação do UHPC.
As advogadas Isabella e Victoria apresentaram um panorama geral, destacando que a reforma não é uma mera alteração legislativa, mas uma reforma sobre o consumo, do ponto de vista tributário, que traz alterações estruturais, cujos tributos serão impactados direta ou indiretamente. Embora a proposta seja a simplificação do sistema, a criação de novas regras pode trazer mais complexidade, ao menos no curto prazo. Ao longo da palestra, elas explicaram o objetivo de anular o efeito cascata dos impostos na cadeia produtiva e de permitir a geração de crédito em todas as aquisições de insumos e materiais. No entanto, um dos desafios será o fato de o crédito estar vinculado ao recolhimento efetivo do tributo na etapa anterior. Assim, as relações de consumo precisarão ser revisitadas e recalculadas, a fim de tornar as empresas mais competitivas.
Já Anan Júnior avaliou que o setor de pré-fabricados de concreto poderia ser enquadrado como um serviço de construção civil, o que resultaria em uma alíquota reduzida em 50%. Com isso, as empresas do segmento precisam compreender quais serão os efeitos na formação de preços e em suas operações. Ele mencionou ainda algumas tendências associadas à Reforma, como o aumento da carga tributária e da complexidade no curto prazo; o crescimento da pejotização e da terceirização; a necessidade de compliance tributário para o rastreamento de créditos; maior atenção aos contratos, aos regimes de contratação e aos tipos de obra; a reestruturação de custos e preços; e o avanço da industrialização, da construção modular e do modelo offsite. “Vocês precisam estar preparados. A Abcic tem um papel fundamental, pois uma empresa não tem a força de uma associação. Há muitos casos em que o governo recebe as análises de um segmento para realizar ajustes antes da aprovação da lei”, afirmou.
O Abcic Networking XX contou com o patrocínio do Modern Construction Show.
Confira as imagens e apresentações neste link: https://www.abcic.org.br/Conteudo/abcic-networking
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