Associação Brasileira da Construção

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Alta de custos na construção e juro maior devem elevar preços de imóveis e frear lançamentos

O aumento nos custos da construção civil, a alta dos juros e a demora na vacinação contra o coronavírus representam um sinal de alerta para o mercado imobiliário. A expectativa é que essa combinação de fatores não só eleve os preços dos imóveis como ajude a frear os lançamentos previstos para 2021.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) reduziu a expectativa de vendas e lançamentos de alta de 10% para estabilidade em relação ao ano passado, quando foram anunciadas 152 mil novas unidades residenciais.

A alta do dólar tem peso forte na equação, com impacto no custo de matérias-primas. Nos últimos 12 meses, o aumento médio foi de 15% a 20%. As construtoras citam itens como cobre, que subiu mais de 200% no período, aço (com alta de 70%) e cimento (45%), entre outros.

“O aumento das matérias-primas preocupa, pois vai ser repassado ao consumidor. A pandemia trouxe incerteza, elevou a cotação do dólar e interrompeu o ciclo de produção, o que impacta os custos do setor. A expectativa é de aumento nos preços, o que pode frear as vendas”, disse Milton Bigucci Junior, diretor técnico da construtora MBigucci e presidente da Associação dos Construtores do Grande ABC.

Segundo Michel Gottlieb, presidente da RJZ Cyrella, os custos subiram em média 15% para empreendimentos em Rio, São Paulo e Região Sul. Ele destaca o aumento das matérias-primas e da mão de obra. Para driblar esses efeitos, a empresa renegociou contratos e mudou o relacionamento com fornecedores: “Passamos a comprar antecipado e em escala para reduzir os custos e criar uma proteção. Todos os insumos estão subindo, como aço, alumínio, vidro e cobre. E muitas fábricas preferem exportar por causa do dólar. Estamos apertando a margem sobretudo para os imóveis do Programa Casa Verde e Amarela, que tem teto de até R$ 240 mil”.

Maurício Corrêa, diretor comercial da construtora Jeronimo Da Veiga, diz que já há uma antecipação de compras diante do receio de aumento de preços. 

Veja a íntegra da matéria no Jornal O Globo