Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Aumento do cimento chega à Secretaria da Defesa do Consumidor 

A preocupação da indústria e dos trabalhadores da construção com o aumento de preços de insumos do setor, especialmente do cimento, foi levada em 19 de agosto ao secretário de Defesa do Consumidor do Estado de São Paulo, Fernando Capez.

Participaram da reunião Renato Genioli, membro do Conselho Superior do Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP; Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sintracon-SP (reúne os trabalhadores do setor na capital paulista); e a vereadora Adriana Ramalho, além de representantes do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).

Os preços de materiais de construção têm se elevado de modo preocupante nos últimos meses, muito acima dos índices de preços. Alguns prazos de entrega desses insumos também estão sendo dilatados, abrindo a possibilidade de desabastecimento.

O cimento já está começando a faltar em algumas localidades, o que poderá também ocasionar atrasos no fornecimento de outra matéria-prima insubstituível nas obras em andamento, o concreto.

Capez foi informado de que indústrias cimenteiras, além de praticarem tais aumentos, registraram elevação da demanda, principalmente por conta do chamado consumo-formiga, alimentado por autoconstrução e reformas.

Relatou-se ao secretário que os fornecedores de cimento não atenderam às solicitações da construção pela revisão destes aumentos, que estão ocorrendo justamente num momento em que a responsabilidade do governo e dos agentes produtivos é gerar e manter empregos, e não elevar preços.

Neste momento de grave crise econômica, destacaram os participantes da reunião, não há como repassar estas elevações aos consumidores: os adquirentes de imóveis e os órgãos públicos contratantes de obras de infraestrutura e habitação popular.

Sensibilizado, o secretário Fernando Capez manifestou preocupação com a questão e se comprometeu a apurá-la. “Um aumento premeditado no preço do cimento atrapalha a construção, o emprego, os preços de apartamentos e as pequenas reformas”, declarou, em nota divulgada pela Folha de S. Paulo em 20 de agosto.
A questão também foi tema de reportagem da Globonews com Renato Genioli. Segundo ele, a indústria da construção tem buscado junto aos seus fornecedores a diluição destes aumentos em prazos maiores. “Aumentos como esse, superiores a 10%, ocasionam um impacto muito forte nos custos da construção. A diluição no tempo seria o melhor caminho, e não aplicar aumento tão expressivo neste momento, em que estamos vivendo tantas dificuldades.”
 
Matéria publicada no Sinduscon-SP