Associação Brasileira da Construção

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Brasil precisa de reformas políticas, afirma presidente da CNI 

A indústria brasileira foi fortemente afetada pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia, mas neste semestre já vem capitaneando a recuperação do país. Agora, com o nível de emprego e de atividade de volta a patamares pré-pandemia, o setor industrial volta os olhos para a agenda de retomada. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, reforçou durante o painel sobre Reindustrialização da economia brasileira, dentro da programação do 92º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), que essa recuperação passa pelas reformas tributária e administrativa.

“Queremos a aprovação da reforma tributária. O ambiente está bem colocado e é isso que vai garantir a segurança jurídica, o aumento de investimentos e o mercado industrial no Brasil. É impossível atrair investidores quando se tem uma legislação arcaica e complexa, com tributos federais que são emaranhados de legislação difíceis de serem compreendidas. Estamos no momento ideal para junto de uma reforma administrativa, dar essa capacidade de investimento e ajuste fiscal para cada município. Temos que melhorar o uso das receitas geradas pelos impostos que pagamos”, destacou Andrade.

Mediadora do painel, Christina Lemos, perguntou aos presidentes da CNI e CBIC sobre as expectativas para 2021. Ambos se mostraram otimistas e Andrade ressaltou a importância de se construir uma política industrial arrojada e bem estabelecida, que contemple fatores de desenvolvimento do país como inovação e tecnologia. “Acredito que no próximo ano já teremos um ambiente mais favorável para a indústria. Essa atmosfera liberal que vivenciamos, de fato é importante para a retomada. Mas não existe criar um país forte e grande sem tecnologia e inovação. Contamos com a construção civil para ajudar na melhoria da saúde e qualidade de vida das pessoas via saneamento, além da geração de emprego e renda, graças ao potencial de crescimento do setor em 2021”, disse.

José Carlos Martins, presidente da CBIC, afirmou que a entidade está afinada com CNI, em se tratando da importância que a indústria tem em agregar valor e  gerar mais renda nacionalmente. “O setor da construção segue crescendo no PIB. Até setembro deste ano foram gerados quase 150 mil novos empregos. Também nos deixa otimistas as vendas 8% superiores a 2019, ou seja, vendemos mais na pandemia que no mesmo período ano passado”, reforçou.

Outro participante do painel, Elson Ribeiro e Povoa, diretor de assuntos institucionais e governamentais da Federação das Indústrias do Distrito Federal e vice-presidente financeiro da CBIC afirmou que este é o momento certo  para se pensar em reindustrialização e questionou o presidente da CNI  sobre a necessidade de estimular novas tecnologias como a 5G, que vai ajudar na robotização da indústria.

Andrade enfatizou que a indústria brasileira está atrasada nesse âmbito, mas que a 5G não precisa ser apenas pública. “É fundamental termos a rede 5G no Brasil. Sem ela, dificilmente será possível avançar na automação e inovação de processos industriais. O fato é que a 5G não precisa ser apenas pública, defendemos que pode ter uma opção de rede privada também. E se não investirmos nesse viés vamos ficar fora do mercado, com problemas de competitividade”, alertou.

Sobre o desabastecimento de insumos, o presidente da CNI afirmou que neste ano o Brasil e o mundo entenderam a importância de se ter uma base produtiva mais ampla, sem depender apenas de um fornecedor, ou de um cliente. “A gente tem que ampliar nossa base de produção no Brasil. Claro que não para produzir tudo, mas há uma necessidade de reindustrialização e aumento da capacidade industrial do país. Não podemos ser totalmente dependentes de insumos ou de produtos fabricados em outros países”, concluiu.

Matéria publicada na Agência CBIC