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Cenário macroeconômico reduz confiança da construção

Após seis meses de altas consecutivas, o Índice de Confiança da Construção (ICST) medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) recuou 1,4 ponto em novembro, para 93,8 pontos. A baixa mensal se deve, exclusivamente, à queda de 2,9 pontos no indicador de Expectativas, já que o indicador de Situação Atual se manteve estável.

 
Índice de Confiança da Construção – Elaboração: FGV

De acordo com a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV, a baixa na expectativa dos empresários reflete uma piora na percepção em relação à demanda e ao ambiente de negócios nos próximos três a seis meses e indica uma maior insegurança com o cenário macroeconômico.

“Estamos chegando ao final do ano com crescimento das incertezas em relação à pandemia. A vacina para a Covid-19 está cada vez mais perto, mas sabemos que ainda levará tempo até estar disponível”, diz.

“Fora isso, a questão fiscal do país começou a ficar mais clara e já afeta as taxas de juros, que é um elemento essencial para a construção. No último boletim Focus do Banco Central, as taxas previstas para 2021 já passaram de 2,75% para 3% ao ano.  Houve uma piora na perspectiva macroeconômica”, completa Castelo.
De qualquer maneira, o ICST de novembro ficou 4,3 pontos acima do registrado no mesmo mês de 2019 e em médias móveis trimestrais avançou pelo quinto mês consecutivo. Segundo a economista da FGV, após apresentar a confiança mais baixa dos últimos seis anos, a tendência é que 2020 termine com alta em relação ao ano anterior.


Índice de Confiança da Construção nos últimos seis anos (Séries sem ajuste sazonal) – Elaboração: FGV

Desempenho por segmento
Primeiramente, é importante ressaltar que nenhum dos três segmentos setoriais da pesquisa – Edificações, Infraestrutura e Serviços Especializados – registrou aumento no Índice de Confiança em novembro.
O único que ficou estável foi Infraestrutura, mesmo com uma baixa no indicador de Expectativas. Uma vez que depende majoritariamente de investimento público, o segmento pode ter sentido um leve impacto das eleições municipais, conforme aponta Castelo.

Enquanto isso, em Edificações, segmento que representa o mercado imobiliário, a baixa foi de 2,3 pontos. “Levando em conta que este mercado vive bom momento, eu atribuo essa queda à piora do cenário macroeconômico”, diz a especialista.

“Considerando somente a edificação residencial, por exemplo, houve alta de 3,9 pontos no indicador de Situação Atual e aumento na confiança. Portanto, é mantida a tendência de crescimento neste segmento”, completa.

A maior queda aconteceu no segmento de Serviços Especializados, que representa a parte final do processo de construção. A retração de 3,5 pontos foi motivada pelo baixo desempenho das atividades de instalação e obras de acabamento, segundo a coordenadora de Projetos da Construção da FGV.

Fatores limitativos
Considerando as adversidades da construção civil em novembro deste ano, além da pandemia do novo coronavírus, destacam-se a escassez e o aumento do preço dos insumos. Em relação a novembro de 2019, respectivamente, as altas são de 710% e 254% no questionário respondido por empresários da construção sobre fatores limitativos à atividade. 

 
Fatores limitativos à melhoria dos negócios – Elaboração: FGV

“A escassez de material e equipamentos está muito acima da média histórica, de 3%. Já está em alta desde agosto, quando atingiu de 7% a 8%. De outubro para novembro houve um salto muito grande, de 9% para 15,4%”, diz Castelo.

“O custo dos materiais também atingiu um nível muito superior à média histórica, de 8%. A métrica alcançou 15% em setembro, 20% em outubro e 24% em novembro” completa a economista da FGV, que ainda ressalta que o movimento também pode ser visto no INCC (Índice de Nacional do Custo de Construção).

Matéria publicada na Smartus