Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Cimento terá selo de sustentabilidade e Brasil é modelo

As indústrias do cimento, do concreto e de agregados da Europa, dos Estados Unidos, da América Latina e da Ásia se uniram para o fundar o Conselho de Sustentabilidade do Concreto – Concrete Sustainability Council (CSC). O objetivo é auditar e certificar o fornecimento e o consumo responsável desses insumos. O selo engloba toda a cadeia de produção e será dividido em 4 categorias: gestão, meio ambiente, aspecto social da sustentabilidade e economia.  

A certificação tem critérios obrigatórios e o manual técnico pode ser acessado ao final dessa reportagem. Quem busca o selo pode optar pelas versões Platinun, Gold ou Silver. Para Michael Scharpf, presidente do comitê-técnico do Concrete Sustainability Council, o “CSC proporcionará transparência e valor aos projetos de construção sustentável“. Atualmente, em todo o mundo 400 empresas, entre fabricantes de cimento, concreteiras e produtores de agregados, já conseguiram a certificação ou estão em processo de obtê-la. 

Os índices da indústria brasileira do setor são referência para as companhias estrangeiras que investem em sustentabilidade na produção. Mundialmente, cimento e concreto respondem por cerca de 7% de todo o CO2 emitido na atmosfera pela ação humana. No Brasil, essa relação é 3 vezes menor. A participação do setor nas emissões nacionais é de 2,3%. E a meta é diminuir ainda mais o volume de CO2. 

Indústria cimenteira brasileira cumpre rigorosamente os termos do Acordo de Paris 
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), Paulo Camillo Penna, o target é reduzir as emissões atuais em mais 33% até 2050. “Com isso, evitaremos lançar 420 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera”, diz. A meta está ligada ao aumento de matérias-primas alternativas ao clínquer na fabricação de cimento, como escórias siderúrgicas, cinzas de termoelétricas e pó de calcário. 

Entre as principais iniciativas do setor está elevar o uso de adições de 32% para 48% e substituir o uso de combustíveis fósseis por alternativos, dos atuais 23% para 55% até 2050. Além disso, a indústria cimenteira também investe na renovação de sua linha de produção, adquirindo equipamentos de menor consumo térmico e elétrico. Essas medidas foram responsáveis pela redução de 18% na intensidade de carbono do setor de 1990 a 2019, enquanto a produção de cimento cresceu cerca de 220%. 

Segundo Penna, a indústria cimenteira brasileira cumpre rigorosamente os termos do Acordo de Paris. Enquanto a média mundial de emissão encontra-se atualmente em 634 quilos de CO2 por tonelada de cimento, no Brasil esse valor é de 564 quilos por tonelada do insumo – cerca de 11% menor. O Acordo de Paris é um tratado assinado por 195 países, incluindo o Brasil, que vigora desde novembro de 2016. A principal meta é reduzir as emissões de gases de efeito estufa para limitar o aumento médio de temperatura global a 2 °C, quando comparado a níveis pré-industriais.

Matéria publicada no Massa Cinzenta