Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Construcarta Nível de Atividades: Os primeiros sinais da atividade

Em janeiro, a construção foi responsável pela criação de 43,5 mil empregos com carteira, na comparação com dezembro. Em relação a janeiro de 2020, foram mais de 117 mil novos postos. Tanto na comparação mensal quanto anual, são números expressivos que colocam o setor entre as atividades que mais geraram empregos formais no país nos últimos 12 meses.

Ainda de acordo com o Caged, em janeiro, na comparação anual, a infraestrutura gerou a maior parte dos novos postos – cerca de 50 mil. Em seguida vem a área de serviços especializados, com 38,4 mil empregos e, por fim, edificações com quase 29 mil vagas formais.

Vale notar que apenas três estados, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, somaram 75,3 mil novos empregos, respondendo por 64% do que foi gerado em 12 meses. Em Minas e no Paraná, a infraestrutura esteve à frente na geração das vagas formais. Em São Paulo, o maior destaque foi a área de serviços especializados, vindo em seguida a infraestrutura.

O que esses números nos dizem?
A mudança na forma de coleta da pesquisa do Caged, impede a comparação com outros momentos da economia. Feita a ressalva, vale lembrar que, como a construção é uma atividade essencialmente intensiva em mão de obra, os números do emprego são uma indicação importante de aquecimento. A despeito da queda forte do PIB em 2020 (- 7%), eles refletem a produção formal em andamento, impulsionada, em maior medida, por obras de infraestrutura.

A questão que se levanta é em que medida essa dinâmica vai prosseguir, ou seja, se o setor continuará como um dos protagonistas da geração de empregos formais e se a infraestrutura se manterá à frente desse movimento.

A Sondagem da Construção da FGV realizada em março apontou que a percepção dos empresários da área de infraestrutura sobre os negócios correntes ainda é mais positiva do que a registrada no mesmo mês do ano passado, mas as expectativas estão piores, refletindo também na queda do indicador de emprego previsto para os próximos meses.

Por sua vez, no que diz respeito ao mercado imobiliário, o cenário também mudou. O impacto imediato do início do ciclo de alta dos juros deve ser pouco expressivo, mas a piora do quadro econômico geral pode afetar as vendas. Os empresários do segmento também acusaram expectativas mais pessimistas.

Vale observar que o ciclo de alta dos custos setoriais iniciado no segundo semestre do ano passado e que se mantem nesses primeiros meses do ano tem grande responsabilidade na piora generalizada das expectativas setoriais.

De todo modo, se não houver paralisação de obras, a produção formal deve contribuir positivamente para a atividade geral do país ao longo do ano. Mas a deterioração do cenário captada nas últimas sondagens acende um alerta em relação ao movimento de retomada.

A íntegra da análise realizada pelo FGV/Ibre e SindusCon-SP está disponível aqui.

Matéria publicada no Sinduscon-SP