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Crédito imobiliário sobe e retorna a patamar pré-pandemia 

Boletim informativo divulgado pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) mostra que os financiamentos imobiliários com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) somaram R$ 7,13 bilhões em maio, alta de 8,2% em relação a 2019.

O montante também cresceu 6,5% na comparação com abril de 2020. No boletim, a Abecip destaca que “o volume financiado em maio, segundo mês completo sob isolamento social, foi praticamente igual ao de janeiro, ou seja, no período anterior à pandemia, indicando que houve, até o momento, impacto reduzido da crise do novo coronavírus sobre o crédito imobiliário com recursos do SBPE”.

O avanço é ainda mais expressivo se considerados os cinco primeiros meses do ano. Em relação a 2019, os empréstimos da poupança destinados a compra ou construção de imóveis cresceram 23,2%, totalizando R$ 34 bilhões. Novamente, a Abecip ressalta que também neste recorte a influência do isolamento social foi “pouco expressiva”. 

Captação líquida bate novo recorde
Em maio, as cadernetas de poupança captaram R$ 30,3 bilhões, estabelecendo novo recorde mensal na série histórica iniciada em julho de 1994. Até então, o melhor resultado havia ocorrido em abril, reforçando este movimento.

De acordo com a Abecip, alguns fatores se combinam para explicar – pelo menos em parte – o resultado dos últimos dois meses: “redução do consumo devido ao isolamento social, maior preocupação financeira com o futuro próximo, queda da rentabilidade das demais aplicações e perdas no mercado acionário – além do pagamento do auxílio emergencial”, diz a entidade.

Dentre eles, chama atenção o fator rentabilidade, uma vez que as aplicações na poupança também são afetadas pelas seguidas quedas da taxa Selic. Segundo cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, os rendimentos da poupança vão cair para 0,13% ao mês com os juros oficiais do país em 2,25% ao ano. Em 2020, o retorno será inferior à inflação, considerando a última projeção do mercado financeiro para o IPCA (1,63%).

Sem novidades
Como é de praxe, a Caixa Econômica Federal novamente liderou o volume de financiamentos imobiliários em maio. Foram R$ 3,31 bilhões para construção e aquisição de imóveis no mês. No financiamento à produção, o banco estatal operou montante quase quatro vezes superior ao segundo colocado, o equivalente a R$ 1,22 bilhão. O Bradesco emprestou R$ 333,5 milhões.

Chama atenção, neste aspecto, o número de unidades financiadas para construção pelo Itaú Unibanco, 1.360, apenas 217 a menos do que a Caixa, embora o Itaú tenha operado “somente” R$ 223,2 milhões. 

De toda forma, no tocante ao financiamento à produção, há grande dependência das construtoras em relação à Caixa. Em maio, a estatal respondeu por 67,7% de todo o volume emprestado para construção de novos empreendimentos.

Matéria publicada na Smartus