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Diálogos CBIC destaca metodologia e aplicação do novo BIM Colaborativo

Planejamento eficaz, banco de dados único, redução de custos, otimização do tempo. Estas são algumas das vantagens do “Building Information Modeling” (BIM). O consultor BIM da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Rogério Suzuki apresentou o novo projeto Bim Colaborativo 2020, que pretende viabilizar a introdução da Modelagem da Informação da Construção no cotidiano de mais cidades e empresas do setor.

O vice-presidente de área e presidente da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (Comat) da entidade, Dionyzio Klavdianos, que mediou o evento, reforçou a importância da colaboração entre empresas e entidades para a evolução do conhecimento e uso dos processos BIM em todo o País.  “Em Brasília desenvolvemos um projeto piloto do BIM Colaborativo bem sucedido ao congregar uma série de empresas do nicho da construção civil que foram conectadas com especialistas e desenvolvedores de software BIM. A iniciativa, que visou viabilizar a introdução do BIM no setor, deixou um legado que pretendemos ampliar em outras cidades do Brasil”, afirmou Klavdianos.

O projeto BIM Colaborativo, foi criado em 2018 com objetivo de disseminar a introdução do BIM nas empresas, especialmente focado nas médias e pequenas. A iniciativa foi desdobramento do desenvolvimento da coletânea BIM da CBIC, seguido por Road Show, em 17 cidades brasileiras. Além da CBIC, Sinducon-DF e Senai Nacional, o piloto contou com a importante parceria do Sebrae-DF e de diversos desenvolvedores de softwares.

Agora, segundo Suzuki, a nova fase do projeto visa reunir construtores e projetistas em torno de um plano em comum. O consultor lembrou das pesquisas realizadas durante o Road Show que indicaram que 81% das empresas participantes tinham interesse em implantar o BIM. “Muitos querem, mas não sabem por onde começar. Desse dilema surgiu a ideia de ajudar, na prática, empresas médias, pequenas e microempresas a introduzirem essa mudança que vai revolucionar a maneira das empresas projetarem, construírem e operarem as suas especificações.”, frisou.

O BIM é considerado a espinha dorsal da revolução tecnológica na construção civil brasileira. Pensando na disseminação desse conceito para o maior número de pessoas possível, a CBIC está preparando um novo modelo que se propõe a alcançar 45 das maiores cidades do país por meio de worshops remotos. “Com a ajuda dessa ferramenta virtual, vamos realizar a mesma dinâmica para atender um nicho maior simultaneamente. Será um treinamento híbrido baseado em vídeos e atendimento presencial. O caso de Brasília foi piloto e com base nessa experiencia a CBIC aperfeiçoou o trabalho, com a possibilidade de oferecer a partir do segundo semestre de 2020 um projeto renovado e aprimorado”, destacou Suzuki.

Segundo o líder do BIM CBIC, Paulo Sanchez, o planejamento com o Senai Nacional foi retomado para transformar a experiência piloto no BIM colaborativo, capacitando multiplicadores da metodologia. “O BIM colaborativo fecha todo um ciclo entre você tomar um conhecimento do que são processo BIM, até você aplicar em um projeto. É simplesmente sair da teoria e passar para prática”, afirmou.

Para Sanchez, no Road Show a grande tônica do encontro era difundir o que foi idealizado pela CBIC para o novo ciclo do BIM colaborativo, considerado algo inédito. “A vantagem desse projeto é que a empresa mexe com a ferramenta e na hora percebe a quantidade de valor agregado que ela proporciona. O fato de estar testando e mexendo na ferramenta é um valor incalculável. Agora o projeto está mais objetivo, ainda tem teoria, mas muito mais ênfase na prática”, explicou.

O vice-presidente do Sinduscon-RS, Roberto Sukster, apresentou um relato das ações da entidade sobre o BIM. Com o objetivo de desenvolvimento técnico da cadeia da construção civil, Sukster destacou entre as ações o Fórum de Inovação e Desempenho na Construção Civil, criado em 2015 em parceria com o Instituto Tecnológico de Desempenho e Construção Civil da Unisinos. “Nosso objetivo é reunir empresas associadas, instituições, consultores e público interessado em um ciclo de debates e palestras multidisciplinares, possibilitando visitas a diferentes edificações e indústrias”, disse.

Além disso, segundo Sukster, foi criado um comitê BIM e realizados seminários nos últimos anos e que deverão ter continuidade neste ano, com adequações na formatação conforme o atual momento exige. “Acreditamos ser fundamental para o desenvolvimento do setor a parceria com as universidades. Neste sentido, em paralelo aos fóruns, estamos realizando um trabalho junto à academia”, destacou o dirigente.

Já Jeferson Spiering Böes, representante do Sinduscon-CE, contou que a entidade criou o Programa de Inovação da Indústria da Construção Civil – Inovacon, onde a primeira ação buscava conhecer o status da maturidade BIM nas organizações cearenses. “Fizemos entrevistas com 88 stakeholders. Com essa mensuração da maturidade BIM no Ceará percebemos que as principais barreiras para implantação da metodologia no estado são falta de capacitação e de recursos financeiros para a compra dos softwares e hardwares”, apontou.

Outra abordagem do Sinduscon-CE foi a implementação do Prêmio Destaque BIM, que contempla três categorias: Construtora/Contrante, Projetista e Academia. A premiação chegou a sua 2ª edição com o intuito de desenvolver a indústria da construção civil cearense e buscar continuamente por inovação no setor. “A iniciativa abrange o estado do Ceará e se propõe a fomentar a adoção do BIM, a partir da disseminação de boas práticas e do estímulo ao ensino e à pesquisa na área.

Klavdianos explicou que a CBIC está preparando a próxima fase da atuação do setor em favor da massificação do BIM. “Ideias como um Road Show promovendo o BIM Colaborativo ou um levantamento do atual estado da arte em BIM serão postas em práticas e o intercâmbio entre as entidades efetivados para disseminação das novas práticas”, concluiu.

A iniciativa tem interface com o projeto ‘Inovação e Tecnologia’ da Comat/CBIC, em correalização com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional).

Matéria publicada na Agência CBIC