Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

FGV revê para baixo crescimento do PIB da Construção 

A estimativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) da Construção para 2021 caiu de 3,80% para 2,60%, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). A informação foi dada por Robson Gonçalves, professor da FGV, na Reunião de Conjuntura Econômica do SindusCon-SP, conduzida pelo vice-presidente de Economia da entidade, Eduardo Zaidan, com a participação do presidente da entidade, Odair Senra.

Gonçalves ressalvou que a confirmação desta nova estimativa dependerá, entre outros fatores, de uma esperada recuperação da economia no segundo trimestre. Contudo, destacou não haver uma modelagem que mostre o nível de regressão da pandemia que dispararia uma recuperação acelerada, puxada pelo setor de serviços. E também não se sabe qual seria a taxa de recriação e reabertura das empresas desse setor para acelerar uma recuperação.

“A única certeza é de que não existe uma política econômica, não há politica de comércio exterior, não há política fiscal, só a tesoura que corta gastos do Orçamento, e o que sobra é o regime de metas para inflação”, comentou. Se os juros se elevarem atraindo capitais especulativos, a taxa de câmbio cede e a pressão sobre os custos dos materiais de construção cai – desde que o patamar dos juros seja adequado, comentou.

No entanto, lembrou que a CPI da Covid deverá prolongar as incertezas, o que certamente não ajuda a atrair investimentos. No curto prazo, disse esperar que o relatório da reforma tributária seja bem recebido no meio político e no mercado, e que não atrapalhe a produção. E que ao menos 20% da população receba as duas doses da vacina. Mas também pode ocorrer uma terceira onda da pandemia. “Vamos ficar atentos, o cenário ainda é muito volátil”, observou.

Dados positivos X pessimismo 
Em sua apresentação, Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do Ibre/FGV, destacou o contraste entre dados positivos do setor e o pessimismo dos empresários e executivos em relação ao curto prazo, captado pela última Sondagem Nacional da Construção.

Os números mostram crescimento do emprego pelas construtoras; da produção da indústria e do comércio de materiais; das vendas e lançamentos, e do crédito imobiliário. Já os financiamentos do FGTS para a habitação popular decrescem. Os preços dos insumos continuam se elevando trimestre, especialmente do aço e dos fios elétricos.

Ana Castelo destacou que os três subsetores – imobiliário, infraestrutura e serviços – têm contratado na mesma proporção. Mas chamou a atenção de que a redução progressiva do volume de criação de empregos no setor é sinal de alerta.

Ela também observou que, de acordo com a Sondagem, a demanda insuficiente teve o maior nível de assinalações, acima do custo dos materiais. E mencionou informação do Banco Central, de que o endividamento das famílias subiu, o que, junto com o aumento da inflação, traz a perspectiva de maior inadimplência.

Matéria publicada no Sinduscon-SP