Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrialização do concreto caminha para a verticalização

Na década passada, o setor da construção industrializada do concreto viveu sua fase de amadurecimento no Brasil. Os eventos esportivos realizados no país – Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016) – serviram de impulso para que pré-fabricados e pré-moldados ganhassem os canteiros de obras. “O protagonismo do pré-fabricado intensificou na década passada, em função dos eventos internacionais que o Brasil sediou. Agora, o momento atual aponta para a verticalização das estruturas pré-fabricadas, com a adesão da construção imobiliária à industrialização do concreto”, afirma a presidente-executiva da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto) Íria Doniak.

A engenheira civil participou recentemente do fórum “Concreto Pré-Fabricado no Brasil: cenário atual e perspectivas para o futuro”. Em sua análise, Doniak lembra que, apesar dos obstáculos tributários, as estruturas pré-fabricadas estarão cada vez mais presentes na construção de edifícios altos. Não apenas como elementos estruturantes, mas também nas fachadas. “O aprimoramento da construção industrializada do concreto incrementou o portfólio do setor”, lembra. Para a presidente-executiva da ABCIC, isso se deve ao fato da indústria de pré-fabricados e pré-moldados seguir rigorosamente a normalização. “Há uma série de normas que balizam nosso setor”, completa.

Normalização dá respaldo técnico e ajuda a preparar o futuro dos pré-fabricados
Em especial, a ABNT NBR 9062 (Projeto e Execução de estruturas de concreto pré-moldado – Procedimento). “A 9062 é a nossa norma-mãe. Ela foi fundamental para o desenvolvimento tecnológico do setor. Deu respaldo técnico para os projetistas e estimulou o emprego da construção industrializada do concreto”, diz Íria Doniak. Em sua apresentação, a presidente-executiva da ABCIC elencou também outras normas técnicas importantes para o segmento, que são as seguintes:

– ABNT NBR 6118 (Projeto de estruturas de concreto);
– ABNT NBR 12655 (Concreto – preparo, controle e recebimento – Procedimento);
– ABNT NBR 14931 (Execução de estruturas de concreto – Procedimentos);
– ABNT NBR 15146 (Controle tecnológico do concreto – Qualificação de pessoal (parte 3));
– ABNT NBR 14861 (Lajes alveolares pré-moldadas de concreto protendido);
– ABNT NBR 16258 (Estacas pré-fabricadas de concreto – Requisitos);
– ABNT NBR 16475 (Painéis de paredes em concreto pré-moldado – requisitos e procedimentos);
– NR-18 (Norma Regulamentadora sobre condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção e outras correlatas).

Sobre o futuro da construção industrializada do concreto, Íria Doniak considera que o setor vai em direção ao concreto de ultra-alto desempenho (UHPC) o que possibilitará confeccionar peças semelhantes aos perfis de aço (menores e mais esbeltas) e com elevada resistência e vida útil. Também avalia que as fábricas caminharão para a automação e que os robôs ocuparão o segmento de montagem das peças nos canteiros de obras. Quanto aos projetos, ela crê que tudo estará conectado à ferramenta BIM e suas novas versões: 3D, 4D, 5D, 6D, 7D e 8D. “O cliente terá melhor entendimento das soluções apresentadas a ele, desde a concepção até a manutenção das estruturas”, prevê.

Matéria publicada no Massa Cinzenta