Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Nesta década, fib prioriza concreto de baixo carbono

A fib (International Federation For Structural Concrete) tem nova presidência desde 1º de janeiro. O doutor em engenharia Akio Kasuga comanda o organismo no biênio 2021-2022. No Japão, Kasuga liderou o movimento que revolucionou a forma de construir pontes no país. Ele atuou para mudar a cultura japonesa de priorizar as estruturas de aço, trocando-as por concreto protendido de alto desempenho. Em seu currículo, o novo presidente da fib tem mais de 200 obras de arte construídas. No comando da federação, o dirigente anuncia que buscará adequá-la às novas demandas climáticas, disseminando a tecnologia das estruturas com baixa emissão de CO2 e a industrialização do concreto.

Segundo Akio Kasuga, essa será a missão da fib para a década que se inicia. “A fib deverá focar suas atividades para disseminar informações que atendam as demandas das mudanças climáticas. Por exemplo, concreto de baixo carbono, construção off-site, construção acelerada, estruturas leves e estruturas altamente duráveis são as chaves de nossas tecnologias para a era vindoura. Entendo que é importante mostrar como a fib pode contribuir com a redução das emissões de CO2, apoiando o desenvolvimento e a aplicação das tecnologias de ponta. O concreto é um material essencial para a construção civil. No entanto, não devemos descansar nesta situação. Agir é necessário. Para mim, colocar o vetor da fib nessa direção é um grande desafio”, disse, em entrevista à revista Industrializar em Concreto, publicada pela ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto).

Tecnologias avançadas e técnicas básicas do concreto continuarão coexistindo
O novo presidente da fib demonstra estar convicto de que grandes estruturas vão aumentar a demanda por concretos de alto desempenho e, em alguns casos, de concretos de ultra alto desempenho. “Cada vez mais os concretos de alto desempenho e de elevada performance ocuparão espaço por questões de competitividade e sustentabilidade. Como usuários, projetistas, engenheiros e pesquisadores do concreto, devemos buscar tecnologias de baixo carbono cada vez mais. Esses requisitos serão acelerados e nunca interrompidos. Isso porque as emissões de CO2 do concreto são enormes. Porém, as tecnologias de baixo carbono incluem não apenas seleção de materiais, mas também estruturas, construção e demolição, que são necessárias para a nossa sociedade”, ressalta.

Akio Kasuga frisa ainda que as tecnologias mais avançadas do concreto e as tecnologias básicas do material continuarão existindo, por uma questão econômica. “A tendência para o concreto de alto desempenho é a direção certa, mas para os países desenvolvidos. Já os países em desenvolvimento terão que continuar focados nas tecnologias básicas de concreto e no uso de materiais locais. Ambas irão coexistir, por aspectos que envolvem custos e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), mas requerem atenção”, destaca. Globalmente, o dirigente reforçou que a fib incentivará a tecnologia pré-moldada do concreto, por ela já estar consolidada em um número significativo de países – incluindo o Brasil – e por ser, comprovadamente, auxiliar na redução de emissões de CO2.

O que é a fib
A Federação Internacional de Concreto Estrutural (fib) é uma associação sem fins lucrativos composta por 42 grupos de membros nacionais e aproximadamente 1.000 membros corporativos e individuais. A missão é desenvolver a nível internacional o estudo de questões científicas e práticas capazes de promover o desempenho técnico, econômico, estético e ambiental da construção em concreto. No principal conselho da federação – o fib Presidium -, o Brasil é representado pela presidente-executiva da ABCIC, Íria Lícia Oliva Doniak.

Matéria publicada no Massa Cinzenta