A industrialização da construção civil ainda avança lentamente nos canteiros brasileiros, apesar da crescente necessidade de elevar a produtividade e enfrentar a escassez de mão de obra. Segundo o Índice Geral de Industrialização da Construção (Igic), da FGV Ibre, 15,7% das obras adotam algum sistema industrializado, ante 14,8% no ano anterior. Entre as principais tecnologias, o drywall aparece na liderança, presente em 65,8% das obras, seguido pela pré-fabricação de concreto, com 61,2%, e pelas estruturas de aço, utilizadas em 51% dos empreendimentos.
A pesquisa mostra, porém, um avanço significativo na adoção de métodos construtivos modernos. Entre 2025 e 2026, o uso de painéis cimentícios passou de 18,1% para 34,3%, o steel frame avançou de 15,6% para 32% e as fachadas pré-fabricadas cresceram de 12,9% para 28%. Para especialistas, a falta de trabalhadores qualificados tem contribuído para estimular as empresas a buscar processos mais industrializados, que permitem maior produtividade e eficiência, além de criarem oportunidades para ampliar a participação de mulheres e jovens no setor.
Apesar dos avanços, a industrialização ainda enfrenta barreiras importantes no Brasil. Entre os principais desafios estão a produtividade, a disponibilidade e qualificação da mão de obra, os custos, os prazos de execução e a necessidade de modernizar os processos de produção de habitações e infraestrutura. Para Ana Castelo, coordenadora de projetos de construção do FGV Ibre, a transformação depende não apenas da adoção de novas tecnologias, mas também de uma mudança na forma como a construção é planejada e executada.
Matéria na íntegra está publicada no Valor Econômico