Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Obras de edifícios são as que mais consomem concreto

Na 1ª rodada da Conferência Global do Concreto, realizada virtualmente no começo de fevereiro de 2021, e promovida pela Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, do inglês Global Cement and Concrete Association), foi apresentado levantamento sobre quais obras mais consomem concreto no mundo. A construção de edifícios é líder disparada. De acordo com a pesquisa, que teve a participação da European Ready Mixed Concrete Organization (ERMCO), 61% de todo o concreto do planeta vai para erguer prédios, seja para fins habitacionais ou comerciais.

As obras de infraestrutura aparecem na 2ª posição, com 20%, seguidas pelos pavimentos urbanos e rodovias de concreto, que somam 14%. Outros tipos de construção consomem 5% do concreto produzido mundialmente. Apenas em alguns países africanos, que investem maciçamente em obras de infraestrutura, como é o caso da Etiópia, é que a construção de edifícios não aparece entre os empreendimentos que mais consomem concreto.

A tendência mundial é que a construção imobiliária siga à frente nesse ranking. Nos Estados Unidos, por exemplo, o grupo de inteligência de mercado da PCA (Portland Cement Association) espera que o consumo de cimento cresça quase 1% em 2021, impulsionado principalmente pela construção residencial. No Brasil, as obras imobiliárias garantiram 80% das vendas de cimento em 2020, o que permitiu que o setor crescesse 10,9%, de acordo com dados divulgados pelo SNIC (Sindicato Nacional da Indústria de Cimento). Para 2021, a projeção é de crescimento de 1%, calcado em novos projetos imobiliários.

Edifícios do futuro apontam para a construção industrializada do concreto e o BIM
Na Conferência Global do Concreto, diante da realidade de que edifícios são as construções que mais absorvem o insumo no planeta, o que se discutiu foram soluções que tornem essas obras mais sustentáveis. A resposta, aponta Andrew Minson, diretor de sustentabilidade da Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA), está na construção industrializada do concreto e no uso do BIM (Building Information Modeling). “Precisamos aumentar o ciclo de vida útil dos edifícios e torná-los menos emissores de CO2”, resume.

Minson e os demais debatedores da conferência, que reuniu 101 representantes do setor mundial de cimento e concreto, defendem que partes das estruturas dos edifícios possam ser montadas e remontadas. “As projeções da Agência Internacional de Energia (IEA, do inglês International Energy Agency) indicam que, em 2050, a demanda global por cimento poderá chegar a 5 bilhões de toneladas. Para compensar esse aumento, as obras precisarão ser mais sustentáveis e eficazes, prolongando seu ciclo de vida útil e permitindo que estruturas possam ser reutilizadas em novas obras”, propõe.

Os debates prosseguirão dia 14 de setembro de 2021, quando acontece a 2ª rodada virtual da conferência. O tema será “O futuro do concreto”. Para baixar o relatório do que foi discutido na 1ª rodada acesse o link.

Matéria publicada no Massa Cinzenta