Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Painéis de GFRC adicionam leveza e industrialização às fachadas

Produzido a partir de cimento portland, areia, fibra de vidro álcali resistente e água, o concreto reforçado com fibras de vidro (em inglês, glass fiber reinforced concrete ou GFRC) é um material cada vez mais aproveitado no revestimento de edifícios. Fluído, graças à adição de aditivos que diminuem a relação água e cimento, esse material pode assumir detalhes e curvas que não poderiam ser reproduzidos com o concreto convencional.

Além da facilidade de conformação, o GFRC tem como característica importante a leveza. Enquanto os painéis de concreto armado costumam ter espessura de 10 cm ou mais, os equivalentes em GFRC têm entre 12 e 20 mm, dependendo do seu tamanho e aplicação. Isto representa alívio considerável no peso do elemento pré-fabricado.

“A leveza do GFRC oferece uma solução em vários contextos. Podemos pensar em obras que precisam de um alívio estrutural ou em regiões onde o solo tem baixa capacidade de suporte. Por não sobrecarregar as estruturas existentes, o GFRC também é ideal para obras de retrofit”, comenta Daniel Imbeault, gerente de produção na Stamp Pré Fabricados Arquitetônicos, empresa associada à ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto).

Outro exemplo de aplicação é em obras sem grua e/ou situadas em regiões de difícil acesso para equipamentos de içamento pesados. Muitas vezes, os painéis de concreto reforçado com fibras de vidro podem ser instalados com equipamentos leves como mini gruas e mini guindastes aranha.

PROJETO E DIMENSIONAMENTO DE JUNTAS
De modo geral, as fachadas com painéis pré-fabricados são economicamente mais competitivas em edificações nas quais a execução das vedações costuma fazer parte do caminho crítico da obra.

Para otimizar o sistema, o projeto deve ser elaborado considerando a utilização de painéis desde o início. A equipe técnica da indústria costuma participar desta etapa auxiliando na definição da modulação dos painéis e da posição das juntas. O objetivo é tirar proveito da repetitividade para minimizar os custos de fabricação e de instalação.

O posicionamento das juntas precisa considerar o tamanho máximo dos painéis, os pontos de fixação, as tolerâncias da estrutura, a movimentação da estrutura e o selante que será utilizado. A largura das juntas normalmente se situa entre 10 e 25 mm. Segundo Imbeault, juntas subdimensionadas podem gerando esforços indesejados. Já as juntas superdimensionadas tendem a dificultar a vedação adequada da fachada e comprometer a estética.

O ideal é que o selante escolhido tenha um modulo de elasticidade que permita um movimento pelo menos quatro vezes superior ao movimento esperado dos painéis. Além disto, é fundamental que ele seja aplicado de maneira correta e tenha boa aderência. “Outra recomendação é prever retornos de cerca de 50 mm nas bordas dos painéis de GFRC e nas aberturas onde serão encaixadas esquadrias”, comenta Daniel Imbeault.

CUIDADOS DE EXECUÇÃO
A leveza dos painéis contribui para a facilidade de instalação. Os ajustes finais de níveis e alinhamento podem, inclusive, dispensar o auxílio de ferramentas pesadas. Os ventos, no entanto, podem gerar dificuldades durante o içamento. Por isso, a colocação dos painéis deve acontecer em dias sem ventos fortes.

A realização de reparos em painéis danificados durante o transporte e a instalação é uma operação complexa e custosa. Daí a importância de que cuidados sejam adotados para proteger as peças, desde a saída da fábrica até a montagem na estrutura.

Para evitar fissuras e quebras, os pontos de fixação de cada painel devem permitir a movimentação sem gerar tensões na camada de GFRC. Para tanto, podem ser utilizados diversos tipos de ancoragens flexíveis capazes de suportar deslocamentos verticais e horizontais leves.

NORMAS E REFERÊNCIAS TÉCNICAS
Há duas normas brasileiras que apoiam o uso dos painéis de GFRC. A ABNT NBR 15.305:2005 — Produtos pré-fabricados de materiais cimentícios reforçados com fibra de vidro — Procedimentos para o controle da fabricação e a ABNT NBR 15.306:2005 — Produtos pré-fabricados de materiais cimentícios reforçados com fibra de vidro — Método de ensaio Parte 1: Medição da consistência da matriz.

“Apesar disto, é recomendável buscar mais referências técnicas no exterior”, comenta Daniel Imbeault. Ele cita, como exemplo, o GFRC Recommended Practices For Glass Fiber Reinforced Concrete Panels, do Precast Concrete Institute (PCI). Outra publicação indicada é o Manual For Quality Control For Plants And Production Of Glass Fiber Reinforced Concrete Products, também do PCI.

Matéria publicada no Portal AECWeb