Associação Brasileira da Construção

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Pandemia acelera inserção de novas tecnologias em EPIs

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) usados na construção civil não serão mais os mesmos após a pandemia de COVID-19. Muitas tecnologias foram aceleradas para dar mais proteção aos trabalhadores. Algumas estão diretamente ligadas a questões de saúde e outras priorizam a produtividade de quem atua no canteiro de obras.

O capacete é o que tem agregado inovações mais rapidamente. No campo da segurança, o EPI ganhou halos (aros de luz) que facilitam a visualização em empreitadas noturnas. Já é realidade também o capacete inteligente. Específico para engenheiros de obras, possui recursos 4D e possibilita visualizar em tempo real detalhes de projeto concebidos na plataforma BIM.

Os avanços tecnológicos se estendem às roupas. Tecidos resistentes, que aumentam a proteção da pele contra alergias dermatológicas, infecções virais e bacteriológicas, começam a ser testados, assim como luvas que mudam de cor quando em contato com substâncias tóxicas.

Outra novidade é a acoplagem dos EPIs a softwares de produtividade. Isso transforma os drones em “mestres de obras do futuro”. Os equipamentos de proteção individual enviam dados aos drones, que conseguem rastrear o trabalhador dentro do canteiro de obras e verificar a execução correta da tarefa. Os softwares registram as informações e compartilham com a equipe de engenheiros de obras.

Essas tecnologias emergentes, que colocam a construção civil na rota da indústria 4.0, não surgem para mudar apenas a forma de trabalhar. A variedade de dispositivos acoplados ao canteiro de obras irá modificar também os trabalhadores do setor. Saem a destreza e as habilidades físicas e entra o conhecimento técnico para operar máquinas digitais e compartilhar tarefas com robôs.

Veja o que ainda precisa evoluir e o que avança rapidamente
A pandemia trouxe uma nova realidade para a construção civil. A obrigatoriedade da máscara no ambiente de trabalho mostrou que o uso em tarefas que exigem esforço dificulta a respiração, cria desconforto à região das orelhas por causa do uso contínuo e embaça os óculos de proteção, o que afeta o desempenho da tarefa. A solução virá através dos chamados tecidos inteligentes, cuja finalidade é oferecer proteção conjugada com conforto.

Na área da Internet das Coisas (IoT), os avanços já são visíveis. A tecnologia permite dividir o canteiro de obras em áreas de atuação e de risco. Através de leitores de QR Code, o acesso a determinados locais pode ser liberado ou vetado para o trabalhador. A IoT também desburocratiza o controle de EPIs. Com um simples escaneamento é possível saber se o equipamento está dentro de seu prazo de validade ou requer manutenção ou troca.

Os países mais avançados na inserção de tecnologias nos equipamentos de proteção individual são Reino Unido, China, União Europeia, Índia, países árabes, Austrália, Estados Unidos e Canadá. No Brasil, a burocracia ainda é um obstáculo às novidades. A certificação para o uso de novos EPIs precisa da autorização da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (SEPT), vinculada ao ministério da Economia.

Matéria publicada no Massa Cinzenta