Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

PIB da cadeia produtiva da construção apresenta queda de 7,3% no primeiro semestre de 2020 na comparação com o mesmo período de 2019

INVESTIMENTOS EM OBRAS
As despesas com obras e serviços realizadas de janeiro a junho de 2020 totalizaram R$ 273,5 bilhões, o que equivaleu a 7,9% do PIB do país. Em termos reais, houve queda do investimento de 4,9%, marcando o terceiro resultado negativo após dois trimestres positivos consecutivos. Com essa retração, o nível investimentos observado nos primeiros seis meses de 2020 foi R$ 86,1 bilhões a menos que o valor dos investimentos em obras realizados em igual período de 2014, o que dá uma dimensão real da crise da construção civil. Isso indica que nesses seis anos houve queda acumulada 25,2% nos investimentos em obras.

 
PIB, FATURAMENTO E OCUPAÇÃO
Nos primeiros seis meses de 2020, o faturamento da cadeia da construção alcançou R$ 543,1 bilhões. Desse valor, 40,1% referiram-se a obras e serviços da construção. Entre 2019 e 2020 (janeiro a junho), houve uma queda nominal de 3,1% no faturamento da cadeia produtiva da construção.

O valor adicionado (ou PIB) da cadeia produtiva somou R$ 197,9 bilhões nos primeiros seis meses de 2020, sendo que 60,5% estavam associados às atividades da construção civil, 9,8%, à indústria de materiais, máquinas e equipamentos para construção e 11,5%, às atividades de comercialização de materiais. Os serviços – que incluem as atividades dos escritórios de engenharia e arquitetura, das análises e ensaios de materiais, dos serviços de apoio à construção e das atividades de manutenção condominial – responderam por 18,2% do PIB da cadeia produtiva da construção.

 
Na comparação com os primeiros seis meses de 2019, houve queda real de 7,3% no PIB da cadeia produtiva da construção. O PIB da indústria de materiais, máquinas e equipamentos de construção registrou queda real de 12,1% e o valor adicionado pelo comércio de materiais caiu 2,0%. As atividades das construtoras, por outro lado, tiveram aumento real de PIB de 2,8%, o que indica um sinal de sustentação das atividades do setor durante a crise.

 


O número de pessoas ocupadas na cadeia da construção foi de 10,226 milhões nos primeiros seis meses de 2020, o que equivaleu a 11,7% da força de trabalho ocupada no país. Desse total, 63,9% das pessoas estava ocupada em atividade da construção (construtoras, autoconstrução e reformas). Em relação a igual período de 2019, o número de trabalhadores na cadeia produtiva da construção caiu 7,0%. Isso indica o fechamento de 770,0 mil postos de trabalho em todos os elos da cadeia em um ano.

INVESTIMENTO REALIZADO X NECESSIDADES
De acordo com as projeções do Construbusiness, seria necessário investir R$ 745,8 bilhões por ano em obras e serviços da construção para manter os ritmos de desenvolvimento urbano e desenvolvimento da infraestrutura necessário ao país (valores a preços de 2017). Isso equivale a um investimento de R$ 372,9 bilhões nos primeiros seis meses do ano. Como foram investidos apenas R$ 255,9 bilhões entre janeiro e junho de 2020, nota-se que os investimentos em construção ficaram 31,4% abaixo das necessidades para o país crescer de forma sustentável. Mantido esse quadro, permanece a tendência de que os ganhos em termos de redução de déficits (habitacional, de saneamento e de transportes, por exemplo) obtidos até 2016 sejam revertidos em curto espaço de tempo.


Matéria publicada na FIESP