Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

PIB da construção crescerá entre 0,5% e 1%

O PIB da construção civil brasileira deverá crescer em 2026 acima dos 0,5% registrados em 2025, mas ficará abaixo de 1%, segundo projeção apresentada por Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, durante a Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP, realizada em 14 de outubro. O desempenho será impulsionado principalmente pelo segmento formal das construtoras. No primeiro semestre, o PIB da construção avançou 1,1% no país, enquanto o Estado de São Paulo registrou queda de 0,4%. Entre janeiro e agosto, o emprego formal do setor cresceu 3% nacionalmente, 2,4% no estado e 3,3% na capital paulista.

Apesar dos sinais de crescimento, o setor enfrenta desafios como a escassez de mão de obra e a elevação dos custos, que superaram 7% no acumulado de 12 meses. Empresas de infraestrutura demonstram maior confiança, e o segmento residencial também apresenta sinais de recuperação, especialmente entre as empresas que atuam no Minha Casa, Minha Vida. Entretanto, o crédito imobiliário preocupa, sobretudo para a população de renda média fora do programa habitacional, diante da redução dos recursos da poupança e da retração dos financiamentos com recursos livres.

No cenário macroeconômico, o professor da FGV Robson Gonçalves destacou a cautela dos agentes financeiros diante das incertezas políticas e econômicas. As projeções do boletim Focus de 13 de outubro indicavam expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic até o fim do ano e inflação de 5,22% em 2026. Segundo o economista, dependendo da evolução da economia em 2027, a construção civil poderá encontrar condições mais favoráveis a partir de 2028.

No mercado residencial, representantes do SindusCon-SP apontaram dificuldades para a compra de imóveis de média renda, mesmo diante da demanda habitacional, devido aos juros elevados e ao endividamento das famílias. Também houve preocupação com o aumento dos lançamentos do Minha Casa, Minha Vida acompanhado pela redução das vendas, o que pode levar empresas com menor disponibilidade de caixa a diminuir novos projetos. A avaliação dos participantes é que a recuperação dependerá da melhora das condições de crédito, do aumento da renda e da produtividade, em um cenário que ainda exige cautela das empresas.

Matéria na íntegra está publicada no Sinduscon-SP

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