O mercado brasileiro de pré-fabricados de concreto inicia 2026 com perspectiva de avanço, impulsionado pela ampliação de obras de infraestrutura, pela busca por maior produtividade e pela incorporação de novas tecnologias. A avaliação é da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC), entidade que reúne fabricantes e empresas ligadas à industrialização da construção.
Segundo a presidente executiva da ABCIC, Íria Doniak, o segmento deve manter a trajetória de crescimento ao longo do ano, tanto em áreas já consolidadas quanto em frentes ainda pouco exploradas. “O setor vai continuar avançando em inúmeros aspectos, atuando em segmentos tradicionais e explorando novos mercados nos quais a pré-fabricação de concreto ainda tem potencial a ser ampliado, como o setor imobiliário”, afirma.
Ela destaca que os investimentos em tecnologias digitais e novos materiais permanecem no centro das estratégias das empresas, com impacto direto na eficiência produtiva e na competitividade.
Infraestrutura lidera demanda
Entre os vetores de expansão, a infraestrutura ocupa posição de destaque. O sistema de pré-fabricação atende obras rodoviárias, ferroviárias e aeroportuárias, além de projetos de mobilidade urbana. “Vemos um investimento importante sendo realizado nesses modais, que são atendidos pelo nosso setor”, diz Íria.
A executiva também destaca o setor de energia renovável, especialmente a geração eólica no Nordeste, onde projetos têm adotado soluções industrializadas em concreto.
No caso das rodovias, as concessionárias vêm priorizando intervenções que conciliem segurança, redução dos custos de manutenção e menor impacto no tráfego. A construção industrializada contribui para esse cenário ao permitir montagens mais rápidas e com menor contingente de trabalhadores em campo. Em mercados como os Estados Unidos, métodos acelerados de construção já são adotados como padrão em diversas frentes.
Produtividade e previsibilidade
A escassez de mão de obra e a pressão por cronogramas mais curtos têm reforçado a preferência pelo modelo industrializado. Para Íria, a pré-fabricação oferece maior previsibilidade de prazos e custos, além de ganhos significativos de produtividade.
“Os desafios ligados à escassez de mão de obra, à maior produtividade, ao combate às mudanças climáticas e à busca pela neutralidade de carbono contribuem para o maior uso da industrialização”, afirma. Ela acrescenta que a necessidade de reduzir o déficit habitacional e de melhorar a infraestrutura urbana amplia o espaço para o sistema construtivo industrializado.
Outro fator valorizado pelas empresas é a mitigação de riscos. A produção em ambiente controlado contribui para a redução de passivos trabalhistas e ambientais, além de minimizar desperdícios.
Concretos especiais ganham espaço
O avanço tecnológico também se reflete na adoção de concretos de alto desempenho. De acordo com levantamento da entidade, o número de empresas que já utilizam ou estão implantando o uso de Ultra High Performance Concrete (UHPC) aumentou. Em 2023, 10% das associadas declaravam utilizar a tecnologia. Em 2024, o índice subiu para 14%. Outras 56% informaram estar em fase de estudos para adoção.
O concreto autoadensável também registra ampla presença, sendo produzido por 78% das empresas consultadas no último ano. Para a presidente executiva, o uso de materiais como o concreto reforçado com fibras e o UHPC melhora o desempenho estrutural e contribui para reduzir custos logísticos. “No caso do concreto reforçado com fibras e do UHPC, há redução do volume de concreto utilizado nos elementos, o que impacta o transporte e a montagem”, explica.
Perspectiva para 2026
A ABCIC acompanha a evolução de um setor que se posiciona como alternativa para obras de maior complexidade e escala. Para 2026, a combinação entre investimentos em infraestrutura, modernização tecnológica e demanda por eficiência deve sustentar a expansão do mercado.
A consolidação da construção industrializada no país dependerá da continuidade de políticas de investimento e da capacidade das empresas de ampliar sua presença em novos segmentos, como o setor imobiliário. A avaliação do setor indica que há espaço para crescimento consistente, desde que o ambiente econômico favoreça a retomada de projetos públicos e privados e mantenha o ritmo de inovação observado nos últimos anos.
Matéria publicada no Massa Cinzenta