Associação Brasileira da Construção

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Projeção do PIB da construção civil em 2020 apresenta melhora

Refletindo a recuperação demonstrada nos últimos meses, a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) da construção em 2020 melhorou. O Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central (BC) relativo ao terceiro trimestre projeta queda de 5% no setor, assim como na economia em geral. No trimestre anterior, as retrações estimadas eram de 6,7% para a construção e 6,4% para o país.

A construção civil, assim como a produção de bens de capital, também exerceu papel importante na revisão da formação bruta de capital fixo (FBCF). Antes era projetada queda de 13,8% no indicador, que passou para redução de 6,6%.

Como foi o PIB da construção no segundo trimestre?
Se as projeções da construção civil melhoraram, os resultados também vêm apresentando progresso frente à pandemia. Enquanto o PIB do país registrou queda de 9,7% no 2T20, em comparação com o primeiro, a construção encolheu 5,7%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em artigo institucional, a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getúlio Vargas) afirma: “Parece um paradoxo dizer que tenha sido […] surpresa positiva, então melhor dizer que foi menos ruim que o esperado”. 

A especialista diz ainda que a melhora nos resultados da construção está ligada a dois aspectos: i) o impacto da crise causada pela Covid-19 está sendo menos intenso do que o projetado inicialmente e ii) a retomada está ocorrendo em ritmo mais forte do que o esperado.

Construção informal
Neste sentido, Castelo lembra que o PIB da construção abrange não só a atividade formal de empresas, como a atividade informal de pequenos empreiteiros e das próprias famílias. Isso porque o segmento informal representa boa parte do consumo de materiais de construção, por exemplo.

O volume de vendas destes insumos em julho, por sua vez, superou o patamar de fevereiro, período pré-pandemia, em 14%. Na comparação com 2019, a alta é de 1,9% nos primeiros sete meses do ano. Vale lembrar que as pequenas reformas foram impulsionadas com o cenário de isolamento social e home office.

Atividade imobiliária
Outro grande destaque na retomada da construção civil é setor imobiliário, principalmente por conta do segmento residencial. Na comparação com o 1T20, o crescimento das atividades imobiliárias foi de 0,5% no segundo trimestre. Já na comparação com o mesmo trimestre de 2019, o crescimento foi de 1,4%. 

Para a economista da FGV, a alta desse mercado está relacionada com a continuidade das obras em grande parte do país e com a expressiva melhora no ambiente de negócios. 

“A redução das taxas de juros e a expansão do crédito, conjugadas à canalização das ofertas por meio digital, contribuíram para impulsionar mais ainda as vendas de imóveis, que já estavam em crescimento antes da pandemia”, conclui a economista do IBRE/FGV.

Matéria publicada na Smartus