Associação Brasileira da Construção

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Uso do BIM agora é lei. Quem está pronto e quem está defasado?

A mais ampla pesquisa sobre o uso do BIM no Brasil mostra quem está preparado para utilizar a modelagem e quem ainda se encontra atrasado perante a tecnologia, apesar de ter se tornado lei no Brasil desde 1º de janeiro de 2021. Mapeamento realizado pela Sienge – desenvolvedora de modelos de gestão para a construção civil -, em parceria com a auditora Grant Thornton Brasil, revela que os estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul são os que concentram o maior número de empresas já adaptadas ao BIM.

O estudo destaca ainda que projetos de edificações residenciais e obras comerciais, como supermercados e shopping centers, são os que mais utilizam a ferramenta. Escritórios de projetos, construtoras e incorporadoras, consultorias e indústrias de materiais, componentes e sistemas construtivos também estão entre os que fazem uso do BIM com mais frequência. Mesmo assim, o percentual de quem não utiliza ainda é maior. São 61,6% que não estão adequados à tecnologia e 38,4% já adaptados.

Por outro lado, de 43% a 47% das empresas que participaram da pesquisa, e que ainda não utilizam BIM, disseram que pretendem adotar a ferramenta no prazo máximo de 1 ano ou 2 anos. As companhias mais jovens, com idade entre 1 ano e 10 anos, respondem por cerca de 55,5% das que declaram adotar a tecnologia. O uso da metodologia também é mais comum em companhias que têm entre 9 e 50 colaboradores. Nesses dois segmentos – empresas jovens e com pouco número de profissionais -, incluem-se as construtechs (startups da construção civil).

Saiba quais são as dificuldades alegadas para a implantação do BIM

O estudo mapeou as dificuldades para a implantação do BIM, segundo as empresas pesquisadas. Entre as razões apresentadas estão:

• Barreiras financeiras, quanto aos softwares e equipamentos necessários.
• Barreiras financeiras, quanto aos treinamentos necessários.
• Barreiras organizacionais, quanto à estrutura de colaboradores disponíveis para apoiar o processo.
• Barreiras de mercado, quanto a projetistas aptos ou com custo viável para adoção da metodologia BIM.
• Barreiras de mercado, quanto às construtoras e incorporadoras dispostas a remunerar projetos modelados.
• Falta de retorno ou retorno financeiro muito baixo, inviabilizando a adoção.
• Falta de suporte ou orientação para o processo de implantação da metodologia.
• Falta de incentivo do poder público.
• Baixo convencimento da alta direção sobre a necessidade da adoção da metodologia BIM.

O decreto federal nº 9.377, que estabelece uma estratégia nacional para disseminar o uso da plataforma BIM no Brasil, torna obrigatória a aplicação da ferramenta para projetos de arquitetura e de engenharia submetidos a processos de licitação. A iniciativa pretende aumentar em 10 vezes a utilização da tecnologia no país. A expectativa é de que, até 2024, 50% do PIB da construção civil já esteja adequado à ferramenta. Se esse percentual for atingido, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) estima que haverá aumento de 10% na produtividade e redução média de 20% no custo das obras. A ABDI também projeta que, se metade da cadeia da construção adotar a plataforma até 2028, haverá ganho de 7 pontos percentuais no PIB do setor.

Matéria publicada no Massa Cinzenta