O 7º fib Congress, realizado entre 15 e 19 de junho, em Lisboa (Portugal), e o encontro “Estruturas de Concreto: oportunidades e novos desafios", em Bergamo (Itália), reuniram especialistas de diversos países para debater o futuro da engenharia do concreto. Os eventos evidenciaram que a industrialização, a digitalização, a Inteligência Artificial, os novos materiais e a descarbonização serão os principais vetores de transformação do setor nos próximos anos.
A presidente da fib e presidente executiva da Abcic, Íria Doniak, participou dos dois encontros, atuando como anfitriã do congresso internacional e palestrante na Itália. Segundo ela, sustentabilidade e resiliência devem caminhar juntas, exigindo projetos que considerem todo o ciclo de vida das estruturas, desde a concepção até a manutenção, reutilização e economia circular.
Outro destaque foi o protagonismo das estruturas existentes. O envelhecimento da infraestrutura mundial impulsiona o uso de sensores, drones, visão computacional, Inteligência Artificial e gêmeos digitais para monitoramento em tempo real, inspeções automatizadas e manutenção preditiva. Para Íria, essas tecnologias representam uma mudança de paradigma ao ampliar a durabilidade, a segurança e a eficiência das obras.
A industrialização da construção e o desenvolvimento de concretos de baixo carbono também ganharam espaço nos debates. De acordo com a executiva, a adoção de sistemas industrializados permite reduzir o consumo de materiais, aumentar a produtividade e minimizar impactos ambientais. Ela destacou ainda que o Brasil vem avançando nesse cenário com normas específicas, pesquisas em UHPC, geopolímeros e outros materiais inovadores.
A Inteligência Artificial foi apontada como uma tecnologia capaz de transformar todas as etapas do ciclo da obra. Integrada ao BIM, sensores e gêmeos digitais, ela contribui para otimizar projetos, reduzir desperdícios durante a execução e aprimorar o monitoramento das estruturas em operação, favorecendo a manutenção preventiva e a redução da pegada de carbono.
Na avaliação de Íria Doniak, o Brasil acompanha as principais tendências internacionais, mas ainda enfrenta desafios relacionados à contratação de projetos, burocracia, qualificação profissional e mudança cultural. Para ela, o país já dispõe de conhecimento técnico e capacidade de inovação, mas precisa acelerar a transformação desse potencial em ganhos de produtividade, sustentabilidade e qualidade da infraestrutura.
Matéria na íntegra está publicada no Massa Cinzenta