Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Ambiente colaborativo destaca produtividade e a necessidade de mudanças tributárias

A segunda edição do Ambiente Colaborativo - Indústria da Construção Civil, evento organizado pela ArcelorMittal, foi promovido no dia 9 de maio, em São Paulo (SP), no Renaissance São Paulo Hotel, e contou com a participação da Abcic, por meio de presença da Presidente Executiva da entidade, Íria Doniak. 

Na ocasião, a engenheira Íria Doniak fez parte de um dos painéis da programação coordenado pelo Gerente de Desenvolvimento de Produtos e Mercado, Antonio Paulo Pereira, e teve a oportunidade de expor aos presentes algumas considerações e dados sobre industrialização no setor da construção civil e meios de fomenta-la. Além das estratégias da associação desenvolvidas para fortalecer o setor de pré-fabricados de concreto, como o Selo de Excelência Abcic, Íria também destacou o Manual da Construção Industrializada, publicação da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com outras entidades representativas do setor da construção.

O destaque de sua apresentação foi ressaltar a importância do evento Ambiente Colaborativo, desenvolvido pela ArcelorMittal em parceria com as entidades e a presença dos clientes do setor, e dar continuidade a pauta proposta na primeira edição do evento que ocorreu em Abril de 2018.

 

No evento que discutiu o atual cenário da construção civil no país, a presidente executiva da Abcic fez referência a desafios que se apresentam aos sistemas industrializados. "Ainda é necessário vencer as barreiras culturais e tributárias; precisamos de políticas públicas em prol da industrialização. Algumas entidades, como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), têm realizado importantes avanços nos movimentos Coalizão pela Construção e Do mesmo Lado respectivamente, os quais temos integrado visando apoiar o desenvolvimento como um todo e também apresentar as pautas da industrialização que integram o GT Construção Industrializada, coordenado pela ABRAMAT - Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção ”, comentou. Íria também falou sobre oportunidades atuais e boas perspectivas para os sistemas pré-fabricados, favorecidos por mudanças em sistemas de contratação: “Hoje entendemos que algumas dificuldades decorrentes dos longos cronogramas de sistemas financeiros serão substituídas aos poucos por novos modelos de negócios; é o caso de empreendimentos de co-living e os exclusivos para locação, lançados no mercado com cada vez mais frequência. Isso, com certeza, irá mudar o modelo de financiamento, que se voltará mais ao investimento - como no caso de hotéis e shopping centers - e à produtividade, alcançada somente por meio da industrialização", explicou.               

Corroborando os apontamentos feitos por Íria, outra participante do mesmo painel, a coordenadora de projetos da Fundação Getulio Vargas (FGV) e colunista da revista Industrializar em Concreto, Ana Maria Castelo, fez considerações importantes sobre tributação e produtividade. Ela lembrou que mesmo quando o setor da construção civil prosperava há alguns anos, a produtividade deixou a desejar. Estudos feitos pela FGV revelaram que num período de dez anos, entre 2003 e 2013, a produtividade na construção civil brasileira cresceu pouco, tendo registrado índices de desempenho menores se comparados aos de países que também viveram ciclos favoráveis para a construção civil nos últimos anos, como China e Índia. Ana explicou que isso aconteceu porque a construção civil nacional assumiu o papel de absorver a mão de obra com pouca qualificação que, na ocasião, estava sendo integrada ao mercado de trabalho.  

Entretanto, foi consenso durante todos os painéis do evento que uma nova fase se inicia para a construção civil, não havendo mais espaço para técnicas artesanais. As inovações tecnológicas trazidas pela Indústria 4.0, como maior conectividade, serão absorvidas pela construção civil por meio de sistemas construtivos industrializados, que são baseados em desenvolvimento de técnicas e produtos de ponta e conhecidos também por utilizar matérias primas e materiais de maneira racional, contribuindo assim para outro importante paradigma contemporâneo, a sustentabilidade.             

Para o devido incentivo da construção industrializada no Brasil, mudanças tributárias são imprescindíveis.  “Sabemos que ao descontar o ICMS, as unidades pré-fabricadas passam a ter um custo mais competitivo se comparadas às feitas no canteiro. É uma distorção muito grande o fato de existir um imposto que desestimula a produtividade trazida pela industrialização e, consequentemente, acaba dificultando a sustentabilidade, já que os sistemas pré-fabricados têm produção mínima de resíduos", concluiu Ana.  

Outros participantes do mesmo painel abordaram o desenvolvimento e utilização de novas tecnologias no ramo da construção civil.  Rafael Gazi, assistente executivo da Mercedes-Benz, colocou em evidência os conceitos da indústria automobilística que estarão cada vez mais presentes nos sistemas construtivos industrializados, como robotização de processos, controle de qualidade baseado em escaneamento de peças e impressão 3D de peças protótipo. Também fez parte do painel o engenheiro Cléber Saccoman, da Global Logistic Properties (GLP), que defendeu já ser perceptível a demanda por tecnologias da indústria 4.0 em segmentos da construção voltados à logística e em sua apresentação destacou os sistemas modulares e industrializados fundamentais para atingir os prazos de construção com elevada qualidade neste segmento.

Durante o debate ocorrido após o painel que contou com a presença da Abcic, a questão sobre como incentivar a construção industrializada no Brasil foi levantada. Íria Doniak falou sobre algumas medidas já colocadas em prática pela Abcic objetivando tal fim. “As nossas Missões Técnicas, estabelecidas pelo planejamento estratégico da associação, permitem que empresários tragam e apliquem no Brasil algumas tecnologias já usadas em outras partes do mundo. Foi assim com a missão realizada na Bélgica, há cerca de dez anos; nessa ocasião, conhecemos os edifícios altos daquele país e, utilizando a experiência adquirida, tivemos papel decisivo no desenvolvimento da norma ABNT de lajes alveolares  e melhorias nas normas do setor de uma forma geral para estruturas de multipavimentos”, explicou. Ela ainda citou o Selo Excelência Abcic, responsável por organizar uma base de dados sólida para a devida implantação de novos materiais, como o concreto de ultra alto desempenho (UHPC), e a parceria entre a entidade e universidades para desenvolvimento de novas tecnologias, como na relação com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). ”No âmbito acadêmico parabenizo a ArcelorMittal , na pessoa de seu diretor Homero Storino, por ações como a criação da cátedra junto à USP e as ações com a UFMG que são sem dúvida transversais a tudo que está sendo debatido no Ambiente Colaborativo, pois a educação é fundamental neste processo que engloba a industrialização, as cidades inteligentes ao mesmo tempo em que o nosso país ainda tem necessidades básicas como saneamento por exemplo. É um paradoxo  tratarmos de forma simultânea  com temas tão distintos, mas necessário”.

Outro painel apresentado no evento, com a presença do presidente executivo da ABTC (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tubos de Concreto), Alírio Gimenez, destacou a importância da aprovação da MP sobre o Saneamento. Como apresentado pelo Instituto Trata Brasil, são diversos benefícios para o país com a aprovação desta MP, não apenas na geração de obras e empregos, mas em especial para a população e saúde pública. “A Abcic apoia estas ações bem como a provação da MP do Saneamento, pois antes de ser uma questão de engenharia, é uma questão primordial de saúde pública que se posta em marcha, além de impactar a qualidade de vida das pessoas, trará inúmeros benefícios nos índices de desenvolvimento do país. E este espírito que o Ambiente Colaborativo também desperta a importância de fazermos parte da mesma cadeia e potencializar todas as ações”, finalizou Íria.