Uma consulta realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que 51,7% das empresas avaliaram que o desempenho da atividade industrial no primeiro quadrimestre de 2026 ficou abaixo das expectativas traçadas no fim de 2025. A percepção contrasta com os dados oficiais do IBGE, que apontaram crescimento da produção industrial no período. Para 57,2% das empresas, a demanda doméstica foi inferior ao esperado, enquanto 53,2% registraram queda nas encomendas.
Segundo a CNI, o cenário reflete um momento de cautela na indústria de transformação. A especialista Larissa Nocko afirma que, apesar de alguns indicadores positivos no início do ano, boa parte das empresas não identifica novos estímulos para ampliar a produção, o emprego ou os investimentos. Entre os principais fatores que impactaram os negócios, 73,9% dos entrevistados apontaram as condições da economia como o principal obstáculo.
Entre as empresas que conseguiram manter ou ampliar a atividade, os avanços tecnológicos, a automação e os ganhos de produtividade foram os fatores mais citados, seguidos pelo aumento da demanda interna e pela reposição de estoques. Por outro lado, a pesquisa destaca que custos elevados, agravados pela guerra no Oriente Médio, concorrência com produtos importados, obsolescência de máquinas e alto endividamento continuam pressionando o desempenho da indústria.
As perspectivas para o restante de 2026 permanecem moderadas. A maior parte das empresas (37,4%) considera prematuro avaliar a evolução da atividade ao longo do ano, enquanto 30,4% acreditam que o crescimento poderá ser mantido apenas parcialmente e sob riscos. Apenas 15,5% demonstram confiança na continuidade da recuperação, evidenciando um ambiente de negócios ainda marcado pela incerteza.
Matéria na íntegra está publicada na Agência CBIC