Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Construcarta Nível de Atividade: Expectativas abaladas

No final de 2019, os empresários da construção mostravam um grande entusiasmo com a recuperação dos negócios. Em fevereiro de 2020, a Sondagem da Construção já mostrou um arrefecimento do otimismo, causado, em grande parte pelas incertezas no ambiente doméstico e pelo baixo ritmo de recuperação da economia. A ameaça representada pelo COVID-19 ainda estava distante do país.

Em março, o cenário mudou completamente, com a maioria das cidades do país entrando em quarentena e determinando a paralisação de parte significativa das atividades econômicas.

A mudança de cenário pega a construção no início da retomada, pode comprometer o andamento de obras e afetar a demanda. A Sondagem realizada em março já mostra a preocupação dos empresários com essa questão: o Indicador de Expectativas (IE) sofreu novo revés, apontando queda nas expectativas em relação à demanda prevista para os próximos meses.

A deterioração das expectativas foi generalizada atingindo todos os segmentos da construção, mas foi mais significativa entre as empresas de Serviços Especializados. Vale lembrar que esse segmento foi o que mais cresceu no ano passado. No entanto, esse segmento que representa 24% do PIB das empresas formais é também o mais vulnerável. Ele é formado, em grande parte, por pequenas empresas, com menos capacidade de sustentar reduções bruscas da atividade.

Por outro lado, o Indicador de Situação Atual manteve-se quase estável com redução de 0,4 ponto na comparação com fevereiro, já com ajuste. Portanto, a percepção dominante é que em março não houve alterações significativas no movimento de retomada. Na comparação do primeiro trimestre de 2020 com o mesmo período de 2019, o indicador mostra crescimento do ISA de quase 20 pontos. Mas é possível sustentar esse movimento?

O cenário global mudou. Os números da economia já mostravam um crescimento mais fraco no país. Com a paralisação de boa parte das atividades, a maioria dos analistas já projeta recessão em 2020. No entanto, as incertezas sobre a duração dessa paralisação e a capacidade de retomada dificultam as estimativas.

No melhor cenário, a economia se manterá estável, na taxa de 0,1%. No entanto, como em 2019, o PIB chegou ao final do ano com taxa positiva, ou seja, houve um efeito de carregamento positivo, a estabilidade já representaria uma queda da atividade. Nestas condições, o efeito da crise estaria concentrado no segundo trimestre.

Cada cenário implica desdobramentos diferentes. No setor da construção, se as obras em andamento não forem paralisadas é possível garantir um crescimento em 2020. Para a parcela do PIB que reflete as obras de autoconstrução e autogestão, o impacto ainda é imprevisível, mas certamente ocorrerá, afetando o resultado previsto para o PIB da construção.

A análise mensal do SindusCon-SP e da FGV/Ibre está disponível aqui

Matéria publicada no site do Sinduscon-SP