Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Deconcic analisa conjuntura do setor e as obras de infraestrutura

A reunião plenária do Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu Carlos Eduardo Lima Jorge, presidente da Associação para o Progresso de Empresas de Obras de Infraestrutura Social e Logística (Apeop) e da Comissão de Infraestrutura (Coinfra/CBIC), que explicou que a maioria das obras paralisadas hoje em todo o país estão nas áreas de educação, saúde, mobilidade e habitação, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A Abcic participa do departamento, por meio da participação da engenheira Íria Doniak, presidente executiva da Abcic.

“Existe um cemitério de obras provocado, principalmente, pelo descasamento entre a grande quantidade de convênios assinados com os Estados e Municípios e a disponibilidade de recursos da União. Somente com a prefeitura de São Paulo, foram firmados R$ 8,1 bilhões em convênios, com repasse de apenas R$ 531 milhões”, disse Lima Jorge. São 4,7 mil obras paralisadas do PAC. Desse total, 43% estão no Nordeste; 38% das obras com custo de até R$ 500 mil; 94% geradas pelos Ministérios das Cidades, Saúde e Educação. Quando se trata de Unidades Básicas de Saúde, elas representam 36% das obras paradas e com uma média de 70% de execução física desses empreendimentos.

Em reunião anterior, o consultor do departamento, Fernando Garcia, trouxe a atual conjuntura dos setores que compõem a cadeia produtiva. Ele afirmou que uma recuperação do crescimento começa a ser observada, mas ainda muito tímida por conta da grande quantidade de obras paralisadas no país, a falta de recursos públicos para sua execução, as dificuldades na obtenção de crédito e a falta de novos projetos.

Representantes das entidades setoriais que compõem o departamento – Fernando Mentone (Sinaenco), Paulo Camillo Penna (SNIC), Débora Oliveira (Aço Brasil), Fernando Valverde (Anepac), Rodrigo Navarro (Abramat), José Romeu Ferraz Neto (Sinduscon-SP), Newton Cavalieri (Sinicesp), Carlos Alberto Laurito (Brasinfra e Sobratema) – detalharam suas áreas e atualizaram as perspectivas para 2019:

•    Arquitetura e engenharia consultiva (Sinaenco): Desde o auge do setor em 2011, houve queda de mais de 60% no faturamento. Uma recuperação no emprego tem sido observada a partir de 2016. No acumulado dos últimos 12 meses até maio/2019, o crescimento foi de 6,5% no país. 
•    Cimento (SNIC): As vendas de cimento cresceram 1,5% no primeiro semestre, comparado ao primeiro semestre de 2018. O setor apresentou sua maior capacidade ociosa da história (47,2%) em junho. É projetado para 2019 um crescimento de até 3%. 
•    Siderurgia (Aço Brasil): Os números do setor estão sendo atualizados, e há distorções causadas por conta da fraca base de comparação causada pela greve dos caminhoneiros em 2018. A recuperação dos mercados esperada no início do governo não se concretizou, e o rompimento da barragem em Brumadinho-MG também afetou o setor siderúrgico recentemente, frustrando expectativas. As perspectivas para 2019 estão sendo revisadas para baixo. 
•    Agregados minerais para construção (Anepac): O setor de agregados em São Paulo apresentou crescimento de 4% no primeiro semestre, comparado ao primeiro semestre de 2018. As projeções de demanda para 2019 é de 534 milhões de toneladas, patamar semelhante a 2007, sendo 4% superior à demanda estimada de 2018. 
•    Indústria de materiais de construção (Abramat): A indústria de materiais registrou crescimento de 1,8% faturamento acumulado dos 12 meses até junho, e de 1,5% no emprego, no mesmo período. A capacidade instalada se manteve na faixa de 70%, e a previsão de crescimento para 2019 foi ajustada para 1,5%. 
•    Construção civil (Sinduscon-SP): A construção civil teve queda de 2% no primeiro trimestre, quando representou 3,6% do PIB, contra o pico de 5,5% em meados de 2012. A previsão de crescimento do setor foi ajustada para 0,5%. Há uma tímida recuperação no emprego, sobretudo nos setores de serviços de engenharia e de obras de instalação. 
•    Construção pesada (Sinicesp): O estado de São Paulo possui 85 obras paradas com valores acima de R$ 1,5 milhão na área de infraestrutura. O emprego na construção pesada paulista partiu de cerca de 120 mil pessoas em 2013 para menos de 80 mil pessoas em 2019. 
•    Infraestrutura (Brasinfra): O emprego na construção pesada ainda não se recuperou apresenta estagnação, com uma variação de 0,09% entre maio de 2019 e o mesmo mês do ano anterior. Entre 2013 e maio de 2019, houve uma redução de cerca de 40% no número de empregados. 
•    Máquinas e equipamentos para construção e mineração (Sobratema): No setor de máquinas e equipamentos, a linha amarela teve uma recuperação de 40% em 2018, com a venda de 11.600 máquinas. O setor ainda está, porém, longe do patamar observado no período de 2010 a 2014, quando as vendas anuais variaram entre 28 e 33 mil unidades. Para 2019, projeta-se um crescimento de 25% nas vendas.

Com informações do Observatório da Construção