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Depois da COVID-19, quais projetos terão prioridade?

O Banco Mundial destacou um grupo de engenheiros civis e arquitetos para mapear projetos que terão prioridade no mundo após o fim da pandemia de Coronavírus. O objetivo é criar linhas de crédito que reaqueçam a atividade econômica através de obras públicas. O estudo ainda está em fase de elaboração, mas já é possível detectar que as construções sustentáveis terão prioridade para a liberação de recursos. Entre elas, destacam-se as que propiciam eficiência energética às edificações, as que geram energia renovável, as que preservam áreas naturais, as que recuperam áreas poluídas, as voltadas para tratamento de água e saneamento básico e as que criam infraestrutura para transporte público.

O grupo de estudo do Banco Mundial tem à frente dois economistas: Stéphane Hallegatte, economista-líder da instituição, e Stephen Hammer, assessor para parcerias globais e de estratégia. “Agora é hora de identificar o melhor pacote de estímulo, desenvolvendo projetos prontos para serem implementados, dentro de políticas possíveis”, afirma Hallegate, que completa: “Podemos financiar projetos já prontos e maduros para saírem do papel, e que os governos só estejam precisando de um impulso financeiro para viabilizá-los. Como exemplos, cito corredores de ônibus, ciclovias e expansão dos serviços de distribuição de água e esgoto, além de sistemas de transmissão e distribuição de eletricidade.”

Brasil se antecipa e cria programa Pró-Brasil para destravar obras de execução rápida

O Banco Mundial defende que o estímulo deve ser dado aos projetos que aproveitem a mão de obra local, gerando emprego aos que ficaram sem trabalho durante a pandemia. Para Stephen Hammer, grandes projetos de infraestrutura não entrariam no rol do Banco Mundial na primeira etapa do plano de obras pós-COVID -19. “Projetos de infraestrutura ambiciosos em energia, transporte, água ou desenvolvimento urbano geralmente são difíceis de incluir em um estímulo rápido, porque levam muito tempo para serem preparados. Mas a natureza única dessa crise pode dar tempo para construir um pipeline de infraestrutura sustentável para quando a crise passar”, diz.

Com o objetivo de poder captar parte dos recursos que o Banco Mundial irá disponibilizar em suas linhas de crédito para obras, o governo federal lançou recentemente o programa Pró-Brasil. O plano ainda está em gestação e deve ser lançado integralmente em outubro de 2020. No entanto, uma das metas é reativar obras paralisadas, que, segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), chegam a 4,7 mil em todo o país. Boa parte delas tem execução rápida, como creches, pré-escolas, escolas, unidades de saúde e saneamento básico. O custo dessas obras está estimado em 30 bilhões de reais. Já os grandes projetos de infraestrutura, como portos, ferrovias, rodovias, aeroportos e hidrovias, envolveriam 250 bilhões de reais, mas dependeriam do programa de concessões que deve ser anunciado em 2021, com duração até 2030.

Matéria publicada na Massa Cinzenta