Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Fiesp debate a aplicação da indústria 4.0 e do BIM no setor da construção

Crédito: Ayrton Vignola/Fiesp

O Conselho Superior da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Consic/Fiesp) trouxe o debate sobre a Indústria 4.0 e o desenvolvimento do BIM (Modelagem da Informação da Construção) na construção civil. A Abcic participa do Consic, por meio da participação de Carlos Gennari, conselheiro do Conselho Estratégico.

José Carlos de Oliveira Lima, presidente do Consic, lembrou que haverá exigência do BIM em obras governamentais e emendou sobre o problema de obras paradas, que será tema do ConstruBusiness deste ano. “Temos um problema sério. Muitas delas [obras] foram abandonadas, com problemas de projeto, de custos. O Brasil é hoje um grande canteiro de obras paradas. Temos 13 milhões de pessoas precisando de emprego. Uma das ações para reverter esse cenário seria a reativação dessas obras. Temos que tratar também sobre a indústria 4.0, uma nova tecnologia, nova cultura. A indústria da construção hoje é totalmente artesanal, mas precisa se transformar em linha de montagem. O canteiro de obras precisa ser linha de montagem”, disse.

Sobre a aplicação da indústria 4.0, Rodrigo Navarro, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), contou que, em 2018, havia mais de 350 startups atuando em construção civil e no mercado imobiliário. “Da porta para dentro, todas as fábricas estão se modernizando, utilizando inteligência artificial, mecanização, mecatrônica, uma série de ferramentas para se modernizar e ganhar competitividade. Mas a construção industrializada precisa de um impulso para decolar, capaz de construir com mais rapidez e menos sujeira. Mas para isso é preciso um ambiente regulatório propício e gestão industrializada”, avaliou.

Mário Willian Esper, presidente eleito do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), contou que a agenda da indústria 4.0 começou na ABNT em agosto de 2018. “A normalização brasileira está contribuindo para a transformação digital. E as normas terão prazo para serem implementadas. Temos que apoiar todas as políticas públicas voltadas à indústria 4.0. Além disso, estamos trazendo parcerias internacionais voltadas a esse tema”, afirmou.

Para Fabiano Rogério Corrêa, professor do departamento de engenharia de construção civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), o BIM é essencial para a introdução de outras tecnologias para a indústria 4.0. O especialista, que está no Canadá acompanhando a aplicação dessa tecnologia naquele país, afirmou que ainda não ‘escutou falar’ da necessidade de introdução de sensoriamento em canteiros de obras e nem no chão de fábrica para que se comece a usar os modelos BIM em dados da construção: “no Brasil, não temos uma base de dados nacional que reflita a produção de nossas empresas. Não conseguimos introduzir tecnologia de inteligência artificial se não temos uma base de dados. E essa base de dados só vem quando temos sensores colocados”, finalizou.

Com informações do Observatório da Construção