Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Impulsionado pelo segmento imobiliário, PIB da construção cresce 1,3%

O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 0,6% no 3º trimestre, em relação ao anterior, de acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (3). No mesmo período, a construção civil, impulsionada pela retomada do mercado imobiliário, registrou crescimento de 1,3%, pouco mais que o dobro do valor geral. 

Os outros segmentos da construção, relacionados à infraestrutura e obras industriais, ainda seguem em baixa, como confirmou o presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins, no site oficial da entidade. “Temos mais uma demonstração de que, se o setor crescesse como um todo, a economia nacional certamente estaria em outro patamar e o processo de recuperação seria mais acelerado”, destacou.

Em valores correntes, o PIB nacional totalizou R$ 1,842 trilhão, sendo que, em relação ao 3º trimestre do ano passado, o crescimento foi de 1,2%, a décima primeira alta consecutiva nesta base de comparação. Já a construção civil, que havia caído 20 trimestres consecutivos e desde o trimestre anterior mostra recuperação, cresceu 4,4% no comparativo anual, o melhor resultado desde o 1T14. 

Vale lembrar que o crescimento do PIB da construção no 2T19, em relação ao trimestre anterior, foi revisto para cima e atingiu 2,4%, quase 5 vezes superior ao PIB do Brasil no período, revisto para 0,5%. Segundo Bráulio Borges, economista da LCA e pesquisador da FGV, o setor também colaborou com o crescimento dos investimentos no 3T19, que foram de 2% em relação ao trimestre anterior. “O PIB da construção civil imobiliária representa quase a metade do investimento”, disse ele em entrevista ao Estadão. Os investimentos são denominados como Formação Bruta de Capital Fixo pelo IBGE.

O avanço da construção tem grande relação com o corte das taxas de juros, que vem impulsionando o segmento imobiliário, sobretudo na capital paulista, com destaque para os imóveis de médio e alto padrão, que estiveram em baixa recentemente. A retomada também pode ser verificada na maior quantidade de vagas de trabalho criadas no setor ao longo do ano. Outubro registrou a sétima alta consecutiva e fez com que o saldo provisório do ano, entre admissões e demissões, seja positivo em mais de 124 mil vagas.

No acumulado em 12 meses, o PIB da construção registrou aumento de 0,4%, entretanto, as atividades ainda estão 30% abaixo do nível máximo, verificado no início de 2014. Foi justamente a partir de então que o setor registrou queda em 20 trimestres consecutivos, ou seja, há muito espaço para crescer. O 1T14 também foi o pico do PIB nacional, do qual o país ainda está 3,6% abaixo. Os valores do 3T19, que registraram crescimento de 1% no acumulado em 12 meses, se equiparam ao PIB do Brasil em 2012.

Crescimento nos três grandes setores
Os três grandes setores da economia – agropecuária, indústria e serviços – registraram crescimento no PIB do 3T19. Em relação ao trimestre anterior, a agropecuária cresceu 1,3%, a indústria 0,8% e serviços, 0,4%. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento dos setores foi de  2,1%, 1% e 1%, respectivamente. A construção faz parte da indústria e estimulou o aumento constatado pelo IBGE, assim como a extração, que cresceu 12% em relação ao trimestre anterior. Já as atividades imobiliárias, pertencentes ao setor de serviços, cresceram em 0,3%.

A pesquisa realizada ainda apontou um aumento no consumo das famílias de 0,8% no 3T19, o melhor desde o fim do ano passado, e diminuição no consumo do governo de 0,4%. A exportação registrou a terceira queda seguida, desta vez de 3,8%, influenciada pelo recesso em muitos países da América do Sul, como a Argentina, e a importação cresceu em 2,9%. Todos os dados são relativos ao trimestre anterior.

Novas previsões
Muito por conta do aumento no consumo, os resultados do PIB no 3T19 ficaram acima das expectativas do mercado, que previam alta entre 0,2% e 0,5%. Desse modo, instituições financeiras e consultorias revisaram e elevaram as suas projeções de crescimento da economia brasileira em 2019 e 2020, levando em conta, também, que a liberação do saque do FGTS pode impulsionar ainda mais o consumo.

O banco Daycoval e a Consultoria Tendências elevaram as projeções de 0,9% para 1,2%, Goldman Sachs, XP Investimentos e MUFG Brasil de 1% para 1,2%, Santander de 0,8% para 1,2% e Citigroup de 0,7% para 1,1%. Para o ano que vem, a Consultoria Tendências prevê crescimento próximo a 2%, o Santander de 2% com viés de alta, enquanto o banco Goldman Sachs já projeta 2,2% ou 2,3%.

Em relação ao mercado imobiliário, a expectativa também é positiva para 2020, principalmente pela previsão de uma nova queda das taxas de juros. Inclusive, José Carlos Martins, presidente da CBIC, afirmou em vídeo da entidade que a construção civil é a “locomotiva do novo momento de crescimento do Brasil”. 

Por Daniel Caravetti, da Smartus