Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrialização em concreto esteve em evidência no XI Congresso Brasileiro de Pontes e Estruturas

Aconteceu nos dias 16 e 17 de maio, em São Paulo (SP), a décima primeira edição do Congresso Brasileiro de Pontes e Estruturas (CBPE), organizado pela Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE) e Associação Brasileira de Pontes e Estruturas (ABPE). A Abcic, apoiadora oficial do evento, foi representada pelo engenheiro e diretor técnico da entidade, Marcelo Cuadrado. Durante pronunciamento na mesa de abertura, Cuadrado destacou o trabalho conjunto entre entidades com o objetivo de disseminar conhecimento técnico e científico: "É por esse caminho que a Abcic trabalha com a Abece, na publicação de normas e manuais, e com o Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), na redação de recomendações de textos normativos". Cuadrado também falou sobre a participação da Abcic em mais uma edição do CBPE: "Em um evento que discute engenharia estrutural e pontes, a Abcic vem trazer a discussão sobre industrialização em concreto e os benefícios característicos desse sistema, entre eles, inovação, padronização de soluções, produtividade e redução de custos".   

Durante a programação do CBPE, o sistema industrializado em concreto esteve presente por meio da palestra dos engenheiros Luiz Livi e Charles Hipólito, ambos da Cassol Pré-Fabricados. Livi destacou o complexo viário do porto de Itaguaí (RJ), composto por três obras de arte. Na ocasião, o uso de peças estruturais pré-fabricadas em concreto foi a solução encontrada para vencer vãos de até 29 m. As vigas usadas para cobrir tal distância foram realizadas com a técnica de pré-tensão e transportadas até o canteiro, onde eram pós-tensionadas. Segundo o Livi, a industrialização foi muito importante para cobrir os prazos estipulados e manter um determinado patamar de qualidade. "Avalio a pré-fabricação como uma importante solução logística em que predomina o controle tecnológico", afirmou. 

A palestra também abordou obras emblemáticas com o uso de pré-fabricados de concreto, entre elas, o Shopping Breithaupt, em Jaraguá do Sul (SC), projeto com 14 pavimentos, e prédios habitacionais construídos pela Cassol em uma rotina de dezesseis unidades entregues em dez dias, com uma equipe de seis pessoas. "Essas duas obras são exemplos de que o sistema industrializado em concreto já não conhece obstáculos de verticalização e é uma técnica de referência em produtividade", afirmou Livi.  

O engenheiro Charles Hipólito, por sua vez, destacou o Contorno Rodoviário de Florianópolis (SC). Assim como em Itaguaí, as vigas também foram forjadas com pré e pós-tensão, sendo a montagem da estrutura dificultada pelo excesso de ventos da região. "Peças com cerca de 60 toneladas foram erguidas com o auxílio de dois guindastes, com capacidade de mais de 100 toneladas cada. O uso dos pré-fabricados de concreto reduziu o contingente de operários no canteiro de obras, dessa maneira reduzindo os riscos durante a fase de montagem", explicou Hipólito. 

Outro profissional que abordou a construção em concreto foi o professor Vanderley John, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI/USP), que destacou aspectos de sustentabilidade e inovação. Nesse sentido, o professor comentou sobre algumas tendências que deverão ser cumpridas na prática por sistemas industrializados baseados em desenvolvimento de tecnologias. Uma delas é a desmaterialização de obras, ou seja, construções econômicas do ponto de vista de uso materiais, o que exige emprego de concretos de maior resistência, como o de alto desempenho ou reforçado com fibras. John frisou o papel da inovação tecnologia para melhorar os índices de produtividade na construção civil brasileira. "Para isso, é muito importante que as universidades se aproximem das empresas, o que promove a união do conhecimento acadêmico com o desenvolvimento de tecnologias. Além disso, o investimento em novas tecnologias por parte de construtoras e fornecedoras ajuda a alavancar a produtividade do setor e, consequentemente, alavancar o crescimento econômico do país", pontuou.