Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Nos outros países, construção também se blinda da COVID-19

Na China – primeiro país atingido pelo novo Coronavírus – um pacote de medidas foi recentemente anunciado para estimular a construção civil. O objetivo é superar as perdas com produtividade durante o período de quarentena. Por isso, o governo decidiu empenhar recursos em infraestrutura sanitária, energia, transporte e habitação.

A medida coincide com o que a China já havia feito em 2008, quando a crise financeira que atingiu os Estados Unidos se espalhou pelo mundo. Naquele ano, para sustentar seu crescimento, o país implantou um pacote de estímulo às obras de infraestrutura que chegou a 572 bilhões de dólares.

Para Ren Zheping, economista-chefe da China Evergrande, principal incorporadora chinesa, investir na construção civil será a maneira mais simples e eficaz de os chineses compensarem a crise epidêmica e econômica causada pela COVID-19. “As obras de infraestrutura podem estabilizar o emprego, liberar o potencial de crescimento e melhorar a competitividade no longo prazo”, avalia.

Na Índia, o segundo país mais populoso do planeta, e onde foi decretado toque de recolher nacional, o governo decidiu destinar o equivalente a 65 dólares quinzenais para cada trabalhador da construção civil. Na indústria formal do setor trabalham 35 milhões de indianos, o que aumenta a preocupação do governo em preservar esse segmento da economia.

Nos Estados Unidos, a National Association of Home Builders (Associação Nacional dos Construtores de Casas) conseguiu um pacto para que os canteiros de obras não sejam desativados, desde que sigam as medidas de prevenção. O organismo também negocia um pacote de incentivos com o governo.

País que se tornou o epicentro da epidemia, os Estados Unidos enfrentam os seguintes problemas em suas obras:

1. Apesar de estarem liberados para atuar, muitos trabalhadores estão preferindo o isolamento voluntário com medo de se infectar, o que está gerando escassez de mão de obra.

2. Como cerca de 40% dos materiais de construção usados nos EUA são importados da China – principalmente os de acabamento -, as mercadorias estão demorando a chegar e muitas obras se encontram paradas.

3. Os financiadores de projetos recuaram e pararam de investir em obras, principalmente as ligadas ao turismo.

4. Grandes construtoras dos EUA empreendem no país todo e possuem equipes de engenheiros que se deslocam continuamente. Com a epidemia, os voos estão praticamente paralisados e a supervisão das obras está comprometida.

5. Os contratos nos EUA são muito rigorosos quanto ao atraso no cronograma das obras. As empresas já buscam soluções jurídicas para anular as cláusulas e evitar pagar multas pesadas.

6. A epidemia lançou uma imprevisibilidade sobre o setor e a construção civil não trabalha assim, principalmente nos EUA onde a regra é: na construção, tudo se resume a tempo e dinheiro.

Dos países-membros da International Housing Association, poucos paralisaram os canteiros de obras

Dos países-membros da International Housing Association (Associação Internacional da Habitação), os únicos que determinaram o fechamento dos canteiros de obras foram Itália, Espanha e Japão. Países como Inglaterra, Portugal, França e Canadá estudam adotar medidas semelhantes, mas antes buscam garantias dos governos para obter um prazo de carência para as empresas que contraíram empréstimos. Há também nações que não interromperam os trabalhos, mas sofrem com a falta de insumos. São os casos dos chamados Países Baixos (Holanda, Bélgica e Luxemburgo) e da Escandinávia (Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia).

A indústria da construção civil brasileira também faz parte da International Housing Association. No país, o setor age para enfrentar 4 problemas emergenciais: redução nas vendas, paralisação de obras, falta de crédito e dificuldade para receber faturas. Por outro lado, os organismos associativos se uniram para apresentar ao governo um documento propositivo sobre os tipos de obras que podem ajudar a retomar o crescimento econômico na fase pós-epidemia. Elas devem se concentrar nas áreas da habitação, do saneamento básico e da infraestrutura.

Matéria publicada no Massa Cinzenta