Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Representantes do DECONCIC debatem impactos do novo coronavírus no setor

A primeira reunião de 2020 da diretoria do Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado do São Paulo (Fiesp), conduzida pelo novo diretor titular, José Romeu Ferraz Neto, teve como tema os impactos do novo coronavírus na cadeia produtiva da construção. Ferraz Neto defendeu, junto a representantes do setor, por videoconferência, a manutenção da execução das obras em andamento.

“O setor deve seguir com a execução das obras em andamento, obedecendo às recomendações das autoridades sanitárias, como monitoramento da temperatura dos funcionários, e fazendo as adaptações necessárias, como mudanças de turno. Os funcionários dos segmentos administrativos devem ser orientados a fazer home office”, observou.

Ferraz Neto destacou ainda que, em um cenário de possível paralisação, ela seria de 14 dias, já que um período maior poderia trazer problemas às empresas do setor que estão descapitalizadas. Para que os impactos sejam de alguma forma amenizados, Ferraz Neto defende ainda, a postergação do recolhimento de impostos e contribuições.

Segundo o diretor titular adjunto do Deconcic, Newton Cavalieri, em relação à construção pesada, concentrada em obras públicas, ainda não há notícias de suspensão das atividades nos canteiros de obras. “Se elas forem interrompidas, não haverá medição e, consequentemente, o pagamento também será interrompido. O ponto crítico é a continuidade das atividades no canteiro, visto que a parte administrativa pode ser direcionada para o home office”, observou Cavalieri.

Carlos Auricchio, vice-presidente da Fiesp e do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic), destacou a importância de não se interromper abruptamente as atividades do setor, além de acompanhar as decisões das autoridades, administrando a situação e seus desdobramentos a cada dia.

Para Manuel Rossitto, também vice-presidente do Consic, dada a extensão territorial do país, uma mesma solução para a situação atual não poderia ser aplicada em todos os casos. “As obras deveriam ser consideradas por região e por tipo, não havendo, por isso, uma solução geral. Defendo ainda o incentivo à criação de um banco de projetos, além do encaminhamento da questão das obras paradas, já que após a economia voltar a funcionar, a retomada dessas obras será particularmente importante para a recuperação do emprego”, destacou.

Antero Saraiva Junior, diretor da Divisão da Cadeia Produtiva da Mineração (Comin) do Deconcic, falou do setor de agregados minerais (areia e brita), que até o momento segue sem impactos em sua demanda e produção. Porém, alertou, que a partir de agora, a expectativa é de desaceleração.

Também presente na videoconferência, Roberto Brizola Martins, representante da ANAMACO, que acompanha as lojas de materiais de construção, contou que elas seguem abertas, obedecendo aos protocolos do Ministério da Saúde e da OMS, tais como disponibilidade de álcool gel, afastamento dos funcionários acima de 60 anos, dentre outras medidas. “O setor tem mantido contato contínuo com as autoridades e não prevê ruptura nas vendas. Houve uma queda do consumo no varejo, com o movimento atual estando mais associado à demanda de obras que já estão em andamento”, disse.

Eurimilson Daniel, da Sobratema, falou sobre o segmento de máquinas e equipamentos, que ainda não sofreu com a paralisação de pedidos para as obras de construção pesada, porém, já se nota uma queda na demanda por equipamentos para obras de edificações, em especial, o de ferramentas leves.

O presidente da Abramat, Rodrigo Navarro, afirmou que às vendas da indústria de materiais de construção, já registra um impacto negativo, mas que a real dimensão será conhecida nos próximos meses. Destacou que a entidade está trabalhando em três linhas: combate a propagação de notícias falsas; apoio as inciativas de outras entidades; e compartilhar as ações e melhores práticas, para buscar sinergias.

Fernando Mentone, afirmou que a preocupação do Sinaenco, está voltada com as atividades de gestão de obras, uma vez que os serviços de projetos podem ser realizados em home office. Mentone comentou também, que o setor jurídico do Sinaenco preparou um documento para orientar as relações trabalhistas no presente contexto.

Carlos Eduardo de Vilhena Paiva, representando o Crea-SP, lembrou da importância da continuidade de obras essenciais para a população, e informou que o Crea-SP e o Confea pleitearão junto ao governo medidas nesse sentido.

O encontro contou com diversos representantes do setor, que tiveram a oportunidade de atualizar a situação e preocupação dos diversos elos dessa cadeia produtiva.

Matéria publicada no site da FIESP